A Polícia Federal prendeu o agricultor José Félix do Nascimento Novaes, de 31 anos, sobrinho do pistoleiro Maurício Gomes Novaes - conhecido por ‘‘Chapéu de Couro’’ - que é apontado como principal ligação entre o mandante e os autores materiais da chacina da qual foi vítima a deputada federal reeleita, Ceci Cunha (PSDB). Novaes foi preso na quarta-feira à noite durante uma blitz realizada por uma guarnição do 3º Batalhão da Polícia Militar (BPM), de Arapiraca, a 142 quilômetros de Maceió (AL).
De Arapiraca, Novaes foi trazido para a Secretaria de Segurança Pública, a pedido do secretário João Mendes, que quer investigar o possível envolvimento dele na chacina do dia 16, ocorrida no bairro nobre de Gruta de Lourdes. A deputada foi assassinada com um tiro de espingarda calibre 12, junto com o marido, Juvenal Cunha, e mais dois familiares. Ceci era médica e acabara de ser diplomada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Alagoas para exercer o segundo mandato.
Interrogado pela polícia, o sobrinho de ‘‘Chapéu de Couro’’ negou qualquer participação do crime, mas confessou ter participado de um desvio de carga de madeira no Pará. A polícia suspeita que ele sabe mais do que afirma e quer o manter preso até localizar o tio dele. Uma ‘‘força-tarefa’’, composta de policiais federais, militares e civis está rastreando as informações passadas pelo deputado federal Augusto Farias (PFL-AL), irmão do ex-tesoureiro da campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello, Paulo César Farias, o PC, para prender os pistoleiros que participaram da chacina.
Em depoimento às autoridades policiais, Augusto Farias acusou o suplente de deputado federal Talvane Albuquerque (PFL-AL), também médico, de contratar ‘‘Chapéu de Couro’’ para assassiná-lo e ocupar a vaga na próxima legislatura da Câmara. ‘‘Como eu fiquei sabendo do plano e tomei certas precauções, o deputado Talvane decidiu mandar assassinar a deputada Ceci, que andava sem seguranças’’, acusou Farias, acrescentando que deve a vida ao pistoleiro.
Albuquerque reuniu a imprensa em Brasília (ele ainda é deputado neste mandato, mas não foi reeleito) diz que é inocente e afirma que seria ‘‘muita imbecilidade’’ mandar matar Ceci, sendo ele o primeiro suplente e principal adversário político dela. Para ele, a PF precisa investigar outros suspeitos. ‘‘Se eu sou o suspeito número um, o governador é o suspeito número zero’’, afirmou, referindo-se a Manoel Gomes de Barros (PTB).
Segundo o deputado, Barros teria interesse na morte de Ceci porque ela teria ficado com R$ 1 milhão, quando desistiu da candidatura a vice-governadora na chapa do PTB.

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