PF faz busca e apreensão em 13 empresas ligadas a Costa
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sexta-feira, 22 de agosto de 2014
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - A Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de busca e apreensão em uma residência e 13 empresas no Rio de Janeiro que estão nos nomes de familiares ou de pessoas próximas a Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras. A ação, desencadeada a pedido da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) ligada à Operação Lava Jato, foi autorizada pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba.
Todo o material apreendido será encaminhado para a PF em Curitiba. Provas da primeira fase de investigações da Operação Lava Jato, além de informações levantadas junto à Receita Federal, apontam que as empresas registradas em nome de Costa, sua filha Ariana Azevedo Costa Bachmann, seu genro Humberto Sampaio de Mesquita, além do sócio de Mesquita, Marcelo Barboza Daniel, podem ter sido utilizadas para receber valores de construtoras e prestadoras de serviços do setor petroquímico que celebraram contratos com a Petrobras. Ou seja, para a investigação, estas empresas podem ser a chave para identificar o pagamento de propina na Estatal durante a gestão de Costa (2004-2012).
Conforme o MPF, empresas constituídas em nome de Marcelo Barboza Daniel e de Humberto Mesquita seriam sediadas no mesmo endereço e seus clientes consistiam, basicamente, em construtoras contratadas para a realização de obras pela Petrobras e empresas do setor petroquímico. Este fato, de acordo com o MPF, é similar ao esquema que gerou a denúncia e posterior ação penal contra Costa e o doleiro Alberto Youssef, de supostos desvios de dinheiro público das obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.
Segundo as investigações, estas empresas são basicamente de consultoria e prestação de serviços, mas também foram verificadas algumas que atuam no setor de recursos humanos, além de agências de viagens e comércio, importação e exportação de vestuário. "Nós vamos agora analisar todo este material para ver a legalidade ou não destes repasses, quais justificativas serão apresentadas. De qualquer maneira, temos indicativos de que boa parte destas empresas não possuíam sequer quadro de funcionários qualificados para prestar serviço de consultoria. Se comprovadas, as irregularidades devem vir a ser alvo de novas denúncias", disse o procurador da República, Carlos Fernando de Lima Santos.
A PF também fez buscas e apreensões na residência de Barboza Daniel. Quando prendeu Paulo Roberto Costa, no dia 20 de março, a PF localizou cerca de R$ 700 mil em dinheiro. Para justificar o valor, ele alegou, como álibi, ter recebido o dinheiro em empréstimo de Barboza Daniel. A partir desta data, Daniel e empresas constituídas em seu nome passaram a ser objeto de investigação do MPF e da PF. Após a decisão judicial que determinou a quebra do sigilo fiscal de Paulo Roberto e seus familiares, foi constatado que o ex-diretor da Petrobras teria contraído, em 2013, um empréstimo de R$ 1,9 milhão de Barboza Daniel. Também verificou-se que Humberto Mesquita, seu genro, declarou no ano de 2012 ter recebido doação de R$ 1 milhão de Barboza Daniel.
Segundo o MPF, entre os clientes das empresas investigadas nesta fase da Lava Jato estão empreiteiras e consórcios que prestam serviços não somente na obra de Petrobras em Pernambuco, mas também em outros locais, especialmente no Rio de Janeiro. O órgão ainda ressaltou que algumas dessas empresas receberam valores que chegam até R$ 3 milhões entre 2012 e 2013.


