BRASÍLIA - O Banco Dimensão centralizou o pagamento da maioria dos cheques emitidos pelo dono da empresa IBF Factoring, Ibrahim Borges Filho, aos doleiros. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Títulos Públicos determinou uma diligência no Banco Dimensão para tentar descobrir como esses cheques de valor elevado foram pagos. A diligência será feita hoje pelo senador Romeu Tuma (PSL-SP).
Apenas um deles, emitido em nome de Carmen Alonso de Javiel, tinha o valor de R$ 21 milhões. Outro cheque, no valor de R$ 9,7 milhões, foi emitido em nome de Fausto Solano Pereira e pago pelo banco. A diligência contará com alguns assessores da CPI.
Os integrantes da CPI querem que o senador Tuma converse com o gerente da agência que autorizou o pagamento dos cheques de valores elevados e saber se consultaram algum funcionário de escalão superior dentro do banco para autorizar a liberação do dinheiro. ‘‘Não deve ser todo dia que se paga um cheque de R$ 21 milhões’’, disse ontem o senador Esperidião Amin (PPB-SC). ‘‘Nós precisamos agora descobrir o romance de cada um desses cheques.’’
Para transferir os lucros aos doleiros, Ibrahim Borges Filho movimentou cheques dos bancos Dimensão, Banestado e Rural. A diligência determinada pela CPI no Dimensão faz parte do rastreamento que está sendo realizado, com a ajuda do Banco Central e da Receita Federal para identificar os beneficiários finais dos lucros obtidos pelo esquema de empresas que manipulou os preços dos títulos estaduais e municipais no mercado. ‘‘Não sabemos ainda onde o dinheiro foi parar, depois que passou pela mão dos doleiros’’, admitiu o relator da CPI, senador Roberto Requião (PMDB-PR).
O senador Vilson Klenubing (PFL-AM) disse que a CPI já poderia dar por encerrado os seus trabalhos se não fosse a questão de descobrir onde o dinheiro foi parar. ‘‘Já sabemos que a documentação das emissões de títulos para pagar precatórios foram feitas de forma irregular e descobrimos o esquema que manipulava os preços dos títulos no mercado’’, explicou. ‘‘Mas falta saber onde o dinheiro foi parar.’’

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