PF exuma hoje o corpo de ex-diretor do Banestado
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sábado, 22 de novembro de 2003
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os peritos da Polícia Federal (PF) conduzem hoje, a partir das 10 horas, o processo de exumação do corpo do ex-diretor da Banestado Leasing e ex-secretário do Esporte e Turismo no governo Jaime Lerner (PSB) Osvaldo Magalhães dos Santos, o Osvaldinho. Ele está enterrado no Cemitério Parque Iguaçu, em Curitiba. O procedimento desta manhã é um dos momentos decisivos da CPI do Banestado, autora do pedido de exumação.
A CPI pediu à Justiça Federal que autorizasse o procedimento depois de constatar que o Instituto Médico Legal (IML) regional não fez os exames de praxe no cadáver: de arcada dentária e de impressões digitais. Os deputados ficaram com dúvidas sobre a identidade do cadáver após colher uma série de depoimentos nas últimas semanas. Osvaldinho morreu em um acidente de automóvel próximo a Palmeira (40 quilômetros ao sul de Ponta Grossa), no dia 7 de setembro de 1998. Ele fazia parte das investigações do Ministério Público (MP) sobre os prejuízos de R$ 600 milhões causados ao Banestado, por causa de empréstimos feitos a empresas que não tinham condições de honrar o pagamento.
A previsão era que os peritos chegassem a Curitiba às 22 horas de ontem. Participam do processo de exumação dois médicos legistas do Instituto Geral de Perícia do Estado do Rio Grande do Sul: Francisco Silveira Benfica e Márcia Vaz. O diretor técnico-científico da PF em Brasília, Geraldo Bertollo, e o perito Sergei Kalupniek, especialista em DNA, também estarão presentes. O relator da CPI, delegado Mário Sérgio Bradock (PMDB), disse que o resultado dos exames fica pronto em cerca de 120 dias.
Na exumação, será colhido material para exame de DNA, que será analisado no Instituto Geral de Perícia do Rio Grande do Sul. A Folha tentou ouvir os peritos ontem, mas segundo a assessoria de imprensa da PF eles não dariam entrevista. A PF informou que o juiz que autorizou a exumação, Sérgio Moro, da 2 Vara Criminal Federal, teria feito um pedido informal para que eles não dessem entrevistas. A decisão do juiz impede ainda a imprensa de acompanhar a exumação.
Bradock explicou que deve ser retirada uma amostra de osso do corpo (possivelmente o fêmur, que tem abundância de material genético), para que depois seja feita a comparação com o material genético de um parente do ex-secretário. O deputado disse que o procedimento no cemitério deve levar pelo menos duas horas. Bradock explicou que terá que ser verificada a situação do jazigo onde está Osvaldinho, e a área em volta. Ele frisou que o procedimento é bastante minucioso.
A CPI deve concluir seu relatório na próxima semana, ao que tudo indica não tendo em mãos o resultado da exumação.


