PF do PR silencia no caso do grampo
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de dezembro de 1998
Mônica Kaseker 
A Polícia Federal do Paraná recebeu ordens superiores para não comentar o caso dos grampos telefônicos feitos por uma suposta agência especializada em escutas ilegais existente em Curitiba. As denúncias envolvem o empresário Cecílio do Rêgo Almeida, dono da empreiteira C.R. Almeida do Paraná, no episódio do grampo telefônico na presidência do BNDES. Segundo suspeita da Folha de S.Paulo, uma agência de Curitiba teria feito a escuta.
Uma escuta, no telefone do ex-sócio de Almeida, José Henrique Castanheira, investigada desde maio, foi a pista para que a Polícia Federal ligasse o nome do empresário do Paraná ao caso do BNDES. Em entrevista à Folha de S. Paulo, Cecílio do Rêgo Almeida, foi debochado ao negar envolvimento no caso: Não sou de grampo, atualmente.
O episódio foi explorado inicialmente na revista Carta Capital desta semana. Segundo a revista, Castanheira apontou Cecílio Almeida como possível autor do grampo em sua residência. Os dois travam uma disputa judicial entre si como sócios do Consórcio Tess S/A, que ganhou a concessão para operar a Banda B da telefonia celular móvel no interior de São Paulo.
Em entrevista à Folha de S. Paulo, na edição de ontem, Castanheira disse que o motivo do grampo no BNDES seria vingança contra o governo, pelos problemas que o consórcio teve no leilão da Banda B. O grampo acabou derrubando o presidente do BNDES Luiz Carlos Mendonça de Barros e seu sucessor André Lara de Resende.
A Primav, empresa de Cecílio Almeida, denunciou que havia controle acionário da operadora sueca Telia Overseas no consórcio Tess. A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) acabou instaurando um procedimento administrativo para investigar o caso, que se for confirmado pode causar a perda da concessão da Banda B.
José Henrique Castanheira disse que considera muito óbvia a hipótese de que Cecílio do Rêgo Almeida seja o autor do grampo instalado em sua casa, mas que a suspeita sobre a participação de Almeida no grampo do BNDES foi levantada pela própria polícia.
A escuta instalada numa caixa da Telesp, perto da casa de Castanheira no Morumbi, em São Paulo, teria sido colocada por um araponga do Paraná. Segundo a Folha de S.Paulo, a Polícia Federal suspeita da existência de uma agência especializada em escutas ilegais em Curitiba.
Procurado ontem pela Folha do Paraná, o superintendente da Polícia Federal no Paraná, Glicério Ferrari, não quis se pronunciar sobre o caso, afirmando seguir ordens superiores. Além da Polícia Federal, a Polícia Civil também investiga o caso.
Essa não é a primeira vez que o empresário Cecílio do Rêgo Almeida se envolve em denúncias de grampos. Em 1971, o governador do Paraná Haroldo Leon Perez caiu por causa de conversas gravadas pelo empresário.
A C.R. Almeida é também a maior sonegadora de INSS no Paraná. Levantamento feito pelo Ministério da Previdência Social em setembro de 97 aponta a empresa como sendo a maior devedora de uma lista de 100. A C.R. Almeida devia na época R$ 52,5 milhões para os cofres da Previdência. O caso foi parar na Justiça Federal. Mesmo assim a empresa já venceu outras licitações no Paraná, como a concessão do principal lote de rodovias do Anel de Integração, que consiste no trecho da BR-277 entre Curitiba e o litoral do Paraná. (Colaboraram Leandro Donatti e Israel Reinstein).
Estou acima do bem e do mal


