O delegado-chefe da Polícia Federal (PF) em Londrina, Sandro Roberto Viana dos Santos, deverá deixar o cargo esta semana. Segundo a Folha apurou, a substituição pelo delegado de Maringá, Élcio Fusculin, foi comunicada pelo superintendente regional Jaber Makul Hanna Saad na última semana de julho. Informações obtidas junto à delegacia da PF de Maringá dão conta que Fusculin somente estaria aguardando a divulgação da promoção em Diário Oficial para assumir o cargo.
No início de julho, um grupo de 14 entidades civis de Londrina encaminhou um ofício ao Ministério da Justiça pedindo a permanência de Santos no cargo. Eles alegaram que a motivação teria sido um e-mail anônimo encaminhado ao ministro Márcio Thomaz Bastos, solicitando a remoção de Viana pelo fato de o delegado ''ser indicação política do deputado federal José Janene (PP)''. O deputado é citado como um dos operadores do esquema do mensalão em Brasília, além de responder a várias ações na Justiça, no caso AMA/Comurb.
Ontem, o deputado estadual Barbosa Neto (PDT) protestou na Assembléia Legislativa contra a transferência de Santos. Barbosa Neto afirmou que o delegado estaria sendo vítima de represálias devido às ações que desenvolve no combate ao tráfico de drogas, apreensão de entorpecentes entre outros delitos. O apelo foi endereçado ao ministro. ''Isto ocorre inclusive num momento negativo para remanejamentos injustificáveis como o que se anuncia, quando são apuradas denúncias de suposto caixa 2 na campanha do atual prefeito Nedson Micheleti, que é do mesmo partido do presidente Lula'', lembrou. Barbosa disse ainda que não acredita em uma relação entre o escândalo municipal com o nacional, ''mas para a sociedade londrinense isto não cheira bem porque está claro que há manobra política contra o delegado, que poderá ser afastado da cidade sem qualquer justificação técnica''.
Santos não quis se manifestar sobre a transferência. ''Qualquer posicionamento deve partir da superintendência'', disse. A reportagem não conseguiu entrar em contato com Saad.

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