O delegado Sandro Roberto dos Santos, da Polícia Federal de Londrina, disse ontem que já tem elementos suficientes para pedir a prisão de Márcio Luchesi, que seria dono da Realty Participações e Empreendimentos, de São Bernardo do Campo (SP). A conta da empresa, no Banco Meridional, lavou R$ 1,6 milhão do dinheiro desviado da Prefeitura de Londrina em licitações fraudulentas.
Na semana retrasada, o delegado esteve em São Bernardo e São Paulo mas não conseguiu localizar o empresário. Ele constatou apenas que o endereço da Realty é residencial – portanto frio – e que Luchesi vive confortavelmente num condomínio de luxo em São Paulo. Além disso, segundo informações obtidas pela PF, o empresário ostenta riqueza, trafegando pela cidade com carros e motos importados.
O delegado explicou que o pedido de prisão só será feito depois do final do inquérito – que ainda não tem data para conclusão. Até lá, Santos espera que o empresário se apresente para explicar a participação da empresa nos desvios de recursos públicos de Londrina. A Realty tem 99% do capital pertencentes à Norgred Sociedad Anonima, de Montevidéu, a mesma empresa utilizada pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello na ‘‘Operação Uruguai’’,
Na semana passada, o delegado também esteve em Curitiba ouvindo os empresários Raul Baglioli Filho, diretor da empresa NT&C, e Luiz José de Oliveira Kesikowski, proprietário da Nova Forma e Kesikowski Engenharia. As três empresas venceram licitações na extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, hoje CMTU), no ano passado, no valor de R$ 1,6 milhão.
Segundo Santos, os empresários ratificaram as informações prestadas ao Ministério Público, no final de 99. Na ocasião, Baglioli Filho informou que foi convidado para participar da operação com licitações fraudulentas pelo ex-diretor da Comurb, Eduardo Alonso. Ele teria trocado quatro cheques de sua conta particular, no valor de R$ 493 mil, por quatro cheques da Comurb.
Logo após a compensação dos cheques da Comurb, um ‘‘representante’’ da Realty – que seria Luchesi – o teria procurado com os cheques de sua conta particular mas mãos, dizendo que estava com dificuldades de sacar o dinheiro. Por isso, foi feita uma operação de transferência via Documento de Ordem de Crédito (DOC) para a conta da Realty. Com Kesikowski teria ocorrido a mesma coisa. Foram nove cheques, das duas empresas, totalizando R$ 1,1 milhão.
Ainda em Curitiba, o delegado Sandro dos Santos ouviu os empresários Arion Alves Cruz e Cláudio Menna Barreto e o ex-diretor de operações do Banestado, Gabriel Nunes Pires. O ex-diretor foi apontado pelo superintendente regional em Londrina, José Collete, como o responsável pela abertura de 30 contas fantasmas em agências do banco na cidada. Algumas dessas contas também lavaram o dinheiro desviado da prefeitura. Pires negou as acusações. O MP trabalha com a hipótese de que o responsável pelas contas seja um doleiro de Londrina.

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