São Paulo - A Polícia Federal desencadeou ontem, a Operação Déjà Vu para desmontar suposto esquema de fraudes em licitações de órgãos públicos e na venda e transferência de agências franqueadas da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). Os prejuízos aos cofres da administração federal são estimados em R$ 21 milhões. A PF calcula, ainda, que o rombo nos Correios alcançou R$ 30 milhões por ano.
A pedido da PF, a 1. Vara da Justiça Federal em Sorocaba (SP) autorizou 43 mandados de busca e apreensão e decretou 19 ordens de prisão temporária. Até a tarde, a PF havia detido 15 acusados de crimes de extorsão, tráfico de influência, corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, formação de quadrilha, falsidade ideológica e descaminho.
A ação se espalhou por quatro Estados - São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul - e chegou também ao Distrito Federal.
A investigação começou em janeiro de 2007. Segundo a PF, o grupo contava com a participação de funcionários dos Correios. A PF informou que outro golpe consistia na transferência ilegal de serviços de postagens de grandes clientes para uma franquia específica, privilegiando interesses particulares.
A PF informou que algumas franquias eram usadas para a remessa de mercadorias para o exterior, com indícios de crimes. Também foram apuradas fraudes em licitações feitas pelos Correios para aquisição de equipamentos e soluções em tecnologia da informação, o que levou ao desmembramento das investigações para a Delegacia de Crimes Financeiros da Superintendência da PF em Brasília.
Em nota, a direção dos Correios informou que o departamento jurídico da empresa acompanhará o processo. ''A direção da ECT manifesta seu interesse em colaborar o máximo possível com o trabalho de apuração da Polícia Federal, fornecendo todos os subsídios para que o processo transcorra com o máximo de transparência e lisura, sempre respeitando os trâmites legais para as ações dessa natureza'', destaca a presidência da ECT.

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