BRASÍLIA - A Polícia Federal já abriu inquérito para investigar as denúncias contra Naura Beatriz Constantinópolos Severo, que se diz chefe de gabinete do deputado João Iensen (PPB-PR) nas negociações para a liberação das concessões de emissoras. Naura Beatriz não é funcionária nem da Câmara, nem do gabinete do parlamentar. O pedido foi feito pelo ministro das Comunicações, Sérgio Motta, ao ministro da Justiça, Nelson Jobim, na noite de quinta-feira. Ontem, Naura Beatriz não foi encontrada em nenhum de seus dois apartamentos em Brasília. Às 7h30, ela negou à rádio CBN seu envolvimento no caso.
Beatriz mora num apartamento da Asa Sul de Brasília com o marido, que é oficial da marinha. Na Asa Norte moram uma tia com os três filhos de Naura Beatriz. Segundo seus familiares, Naura Beatriz teria viajado para o Rio de Janeiro, onde cuidaria da formação do Partido Nacional do Consumidor (PNC), que está articulando em todo o Brasil. O celular também estava programado para não receber chamadas.
Na única entrevista que deu durante todo o dia, à ‘‘Rádio CBN’’, ela negou que estivesse intermediando concessões de emissora de rádio, recebendo por elas entre R$ 50 mil e R$ 100 mil. O interessado teria que pagar metade dos valores. Toda a negociata era feita mediante contrato. ‘‘Não estou sabendo de nada’’, disse Beatriz à emissora de rádio. ‘‘Sinceramente estou estarrecida’’, completou, aparentando nervosismo. Naura também negou o envolvimento do deputado João Iensen (PPB-PR) no episódio. ‘‘O deputado nunca conversou comigo a respeito disso’’.

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