Curitiba - A Polícia Federal cumpriu ontem mandados de busca e apreensão de documentos e equipamentos de informática na Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), ligada ao governo do Estado. A ação foi autorizada pela 1 Vara Criminal de Paranaguá depois de uma solicitação feita pela Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público do Ministério Público (MP) estadual. Os mandados têm relação com um procedimento investigatório criminal aberto na última quarta-feira pelo MP para apurar uma denúncia que envolve negociação de cargos em comissão da Appa para financiamento de campanhas eleitorais. A investigação corre em sigilo.
O material foi apreendido no Departamento de Recursos Humanos da Appa e foi encaminhado para a Delegacia da Polícia Federal. Agora a PF vai periciar os documentos e equipamentos de informática. O MP vai aguardar a perícia do material para dar prosseguimento ao caso.
De acordo com a denúncia que o MP recebeu, a Appa teria ''vendido'' cargos em comissão e o dinheiro desviado teria sido usado para o financiamento de campanhas eleitorais. O MP não divulgou quais campanhas eleitorais teriam sido beneficiadas pelo suposto esquema.
O MP decretou sigilo do caso em razão de documentos bancários e gravações de conversas telefônicas que foram entregues pelo denunciante. Segundo o MP, os nomes dos envolvidos no suposto esquema e do próprio denunciante não poderiam ser divulgados.
A Appa informou que adotou medidas administrativas para esclarecer o caso. Explicou ainda que a denúncia envolveria duas pessoas que não trabalham no porto. A autarquia abriu processo administrativo e pediu ainda apuração para a Polícia Civil.
A abertura da investigação por parte do MP acontece poucos dias depois de o superintendente da Appa Airton Maron ter sido exonerado do cargo. A principal justificativa do governo estadual para a troca de comando foi a necessidade de acelerar os investimentos no Porto de Paranaguá. No lugar de Maron, assumiu Luiz Henrique Dividino. Maron voltou para o cargo de engenheiro da Appa, onde é funcionário de carreira desde 1980.

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