Curitiba - As informações que a Polícia Federal (PF) tem sobre as denúncias do mensalão pago a deputados federais serão cruzadas com os dados do inquérito sobre o Banestado, que investiga esquema de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. A PF em Brasília informou à Folha que ainda não há prazo para o cruzamento de informações ser feito.
Segundo a assessoria de imprensa da PF, o delegado Luis Flávio Zampronha, encarregado das investigações sobre o mensalão, não dá entrevistas. Mas a assessoria confirmou que o delegado recebeu informações de que o publicitário Marcos Valério um dos personagens principais do escândalo do mensalão teria sido investigado no caso Banestado.
Zampronha já teria conversado com o delegado responsável pelas investigações do Banestado, Paulo Roberto Falcão. A PF tem quatro inquéritos relacionados sobre o caso mensalão. O primeiro tem como alvo os Correios, e já foi pedida prorrogação do prazo de 30 dias para sua conclusão. O segundo investiga o IRB, o instituto de resseguros. O terceiro, Marcos Valério, que em depoimento à CPI dos Correios, disse desconhecer o mensalão. O quarto inquérito é sobre Furnas. Esses três últimos também devem ter o prazo de 30 dias prorrogado.
De acordo com informações divulgadas pelo governo federal, em 2003 Valério prestou depoimento à Polícia Federal no caso Banestado, por causa de movimentações bancárias.
O caso Banestado é investigado por uma força-tarefa formada pela PF, Ministério Público Federal, Receita Federal e Banco Central. A força-tarefa apura a evasão ilegal de divisas para o exterior entre 1996 e 2003. O esquema funcionou através das chamadas contas CC5, especialmente a partir de Foz do Iguaçu. O MPF no Paraná preferiu não comentar, pelo menos por enquanto, o cruzamento de dados que será feito pela PF.

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