A perícia feita pela Polícia Federal nas fitas com a gravação de conversas telefônicas no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) concluiu que elas são originais. Segundo o diretor da Polícia Federal, Vicente Chelotti, a perícia também concluiu que o grampo foi feito no telefone da sede do BNDES, no Rio de Janeiro. Por esse motivo, foi determinada abertura de inquérito especial na Superintendência da Polícia Federal no Rio para apurar a responsabilidade sobre o grampo e identificar o autor da escuta clandestina no BNDES.
Chelotti disse ainda que as investigações sobre a suposta empresa do presidente Fernando Henrique Cardoso, do ministro José Serra e do governador Mário Covas serão concentradas na identificação dos responsáveis pela chantagem. Os três tucanos serão considerados ‘‘vítimas’’ nas investigações. Chelotti admitiu que se for necessário convocará o ex-presidente Fernando Collor de Mello para depor sobre o caso.
O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, pediu ontem ao presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, as cópias das notas taquigráficas do depoimento prestado anteontem pelo ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, no plenário do Senado sobre a escuta no telefone do BNDES.
A Procuradoria Geral da República informou que o depoimento servirá para instruir os inquéritos civis públicos instaurados nas procuradorias da República no Rio de Janeiro e no Distrito Federal para apurar possíveis atos de improbidade administrativa e ilícitos civis.
O procurador da República no Distrito Federal Luiz Francisco de Souza disse ontem que abriu um procedimento para apurar as declarações de Mendonça de Barros no Senado. Se ficar comprovado que houve interferência no processo de privatização, Souza disse que poderá pedir a anulação do leilão. Souza também poderá ingressar na Justiça com uma ação por improbidade administrativa. O procurador disse que pretende ouvir os envolvidos no episódio do grampo no telefone do BNDES.

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