PF confirma elo Londrina-Uruguai
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terça-feira, 02 de outubro de 2001
Lino Ramos<br> De Londrina 
A Polícia Federal (PF) de Londrina já tem provas de que parte dos recursos que a prefeitura pagou ao Banco FonteCindam pelo caucionamento de ações da Sercomtel S.A. foi transferido para um banco do Uruguai. As informações estão sob segredo de Justiça e fazem parte do inquérito aberto pela PF para investigar a venda de 45% das ações da Sercomtel para a Companhia Paranaense de Energia (Copel), em maio de 1998, por RS$ 186 milhões.
O delegado Sandro Roberto Viana dos Santos, responsável pelas investigações, evitou detalhar a remessa de dinheiro para o exterior. Mas confirmou a transação. ''Existe uma documentação vinda da Receita Federal que envolve transferências de dinheiro para o exterior, especialmente para o Uruguai'', disse. Segundo ele, os valores enviados ao exterior são ''consideráveis''.
O negócio com o FonteCindam foi fechado no final de 96, quando o então prefeito Luiz Eduardo Cheida (PMDB) tomou emprestados R$ 10,5 milhões da instituição e outro valor igual do Banco Financeiro e Industrial de Investimentos (BFII), caucionando ações da Sercomtel. Em maio de 98, já na administração de Antonio Belinati (sem partido), a prefeitura resgatou as ações por cerca de R$ 40 milhões, quase o dobro do valor original. O pagamento foi feito diretamente pela Copel - para quitar parte dos 45% das ações da Sercomtel.
A PF obteve informações de que pouco antes da venda da transação entre Sercomtel e Copel, houve contratos entre o FonteCindam com bancos do Uruguai para o envio desses recursos ao exterior. As investigações da PF também envolvem empresas com sede no Uruguai e filiais em São Paulo.
Na próxima semana, a PF pretende ouvir o ex-presidente da Sercomtel, Rubens Pavan. O delegado observou que Pavan era advogado da Sercomtel durante a administração Cheida e também assinou o contrato para o caucionamento das ações. ''Por coincidência ou não, Pavan era o presidente da Sercomtel na administração de Belinati. Ou seja, ele será a pessoa mais indicada para fornencer as informações que nós necessitamos para o inquérito'', analisou.
A PF também vai pedir uma perícia contábil em todos os documentos do inquérito para verificar se houve irregularidades no caucionamento de ações e posteriormnte na venda das ações para a Copel. O inquérito poderá chegar a 32 volumes.


