O caixa 2 da campanha de reeleição do prefeito Nedson Micheleti (PT) está comprovado. Esta é a conclusão do delegado-chefe da Polícia Federal (PF) em Londrina, Sandro Roberto Viana dos Santos, após o cumprimento de 22 mandados de busca e apreensão, concedidos pelo juiz da 41 Zona Eleitoral, Jurandyr Reis Júnior, em diversas empresas da cidade. O suposto caixa 2 foi denunciado pela ex-assessora financeira da campanha, Soraya Garcia, no dia 27 de julho.
''A avaliação é extremamente positiva (das buscas) tendo em vista que comprovamos a existência de caixa 2 na campanha do Partido dos Trabalhadores. Conseguimos amealhar vasta documentação que não estava na prestação de contas do PT. Pelos indícios que foram alcançados, pela documentação e pelas provas testemunhais que já colhemos, está comprovado realmente que existia um caixa 2. Existia uma contabilidade paralela na campanha eleitoral de 2004'', relatou o delegado. Segundo o delegado, foram apreendidos documentos em nome de secretários municipais e do PT, que vinculariam a administração ao caixa paralelo. ''Existem documentos com o nome desses secretários, com o nome do próprio partido. Já existe o vínculo, isso está devidamente documentado e temos o principal, que são provas testemunhais'', afirmou. Santos se negou a declinar os nomes anotados nas notas.
Um dos principais fatores da comprovação alegada pelo delegado, são notas fiscais e os depoimentos de proprietários de postos de combustíveis afirmando que prestaram serviços à campanha de Nedson, mas os gastos não teriam sido relacionados na prestação de contas do partido feita à Justiça Eleitoral. ''Agora vamos fazer a análise da documentação de forma mais aprofundada, oitiva das pessoas envolvidas diretamente no caixa 2, posso adiantar que foram ouvidas seis pessoas donos de postos de combustíveis e essas pessoas confirmaram a existência (caixa 2) inclusive com documentos'', disse.
Grande parte dos documentos também foram apreendidas em quatro locadoras de veículos. ''Conseguimos algumas provas testemunhais e documentais sobre a locação de veículos para a campanha do prefeito geralmente utilizando-se de nomes e CPFs de secretários ou pessoas que em tese têm algum envolvimento com o PT. Existe o nome do Nedson no caso de locação de veículo. Posso assegurar que realmente existia locação de veículos em grande quantidade. Isso não consta na prestação de contas oficial'', afirmou.
O promotor eleitoral Sérgio Siqueira ressaltou que as empresas não estão sendo investigadas. ''Não há nada de ilegal que a gente esteja procurando nas empresas. As empresas simplesmente prestaram serviços, como toda empresa tem que fazer.''
Siqueira cumpriu o mandado de busca e apreensão no Estúdio S, de propriedade de Ailton Soares. Ao todo, 22 equipes trabalharam no cumprimento dos mandados. ''Foram apreendidos basicamente planilhas de pagamento, extratos bancários e disco rígido do computador'', relatou.
O delegado Pedro Paulo Figueiredo cumpriu o mandado na Grafinorte, de Apucarana. ''Encontramos notas que serão averiguadas para ver se elas constam na prestação de contas do prefeito Nedson Micheleti. Além de pegar uma nota fiscal de serviços prestados durante a campanha de Nedson Micheleti, apreendemos outras notas fiscais da Prefeitura de Londrina no período questionado'', relacionou, sem mencionar os valores das notas.
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