Curitiba - O delegado Hugo Corrêa Martins, designado pela Polícia Federal para investigar a existência de um caixa 2 durante a campanha pela reeleição do prefeito de Curitiba Cassio Taniguchi (PFL) em 2000, disse ontem que já tem indícios que apontam para crime eleitoral. O delegado federal adiantou, no entanto, que caberá ao Ministério Público Eleitoral oferecer ou não a denúncia contra o prefeito e os envolvidos no escândalo, que vem sendo apurado desde novembro do ano passado.
A maquiagem contábil, de acordo com o delegado, pode ser comprovada a partir de notas fiscais apresentadas pelo empresário Paulo Pimentel (PMDB), proprietário da Editora O Estado do Paraná. Durante a campanha eleitoral, a empresa de Pimentel – que controla o jornal com o mesmo nome, a Tribuna do Paraná e a TV Iguaçu – recebeu R$ 74 mil do comitê de Cassio. Na contabilidade oficial entregue à Justiça Eleitoral, entretanto, foram registrados apenas R$ 21 mil. Outros exemplos similares, já detectados pelo Ministério Público, ainda estão sendo previamente confirmados.
Hugo Corrêa ainda não tem previsão para encerrar o inquérito. O delegado recebeu ontem a visita de um grupo de vereadores que fazem oposição ao prefeito de Curitiba. De olho nos dividendos eleitorais que o escândalo ainda pode render, os vereadores cobraram agilidade. O delegado afirmou que depende de um despacho do juiz da 1ª Zona Eleitoral, Espedito Reis do Amaral, para prosseguir com o inquérito. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) informou ontem que não há um prazo fixado para o juiz eleitoral despachar.
Este é o quarto pedido de prorrogação de prazo solicitado pela PF e a segunda vez que se confirma a existência de caixa 2 na campanha de Cassio. Os promotores da Divisão de Proteção ao Patrimônio Público, órgão vinculado ao Ministério Público Estadual, os primeiros a terem acesso ao livro-caixa redigido pelo ex-tesoureiro do comitê do PFL Francisco Paladino Júnior, o responsável pelo vazamento do escândalo, já haviam detectado as irregularidades.
O MP acredita que o PFL sonegou algo em torno de R$ 29 milhões. A prestação de contas oficial, de R$ 3,1 milhões, chegou a ser aprovada pelo TRE. O MP quer a sua anulação e consequente punição dos envolvidos, que pode ir da prisão até a perda dos direitos políticos. O advogado que cuida do caso, em nome do prefeito de Curitiba, José Cid Campêlo, nega a contabilidade paralela.

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