PF conclui inquéritos sobre contas fantasmas
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terça-feira, 20 de maio de 2003
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
Após dois anos de investigação, a Polícia Federal (PF) concluiu os inquéritos de 30 contas fantasmas abertas no Banestado de Londrina, Cambé e Ibiporã, por volta de 1998. Por estas contas, teriam passado até R$ 450 mil por dia.
Segundo o delegado Sandro Roberto Vianna dos Santos, onze pessoas, entre elas o doleiro Alberto Youssef, foram indiciadas por falsidade ideológica, formação de quadrilha e crime contra o sistema financeiro. ''A lei de lavagem de dinheiro somente passou a valer após 1998 e não pode ser aplicada a períodos anteriores'', justificou o delegado.
Conforme Santos, a documentação das 30 contas de pessoas físicas e jurídicas, e a movimentação do dinheiro eram feitas pelas mesmas pessoas. ''Todos os documentos das empresas foram feitos no mesmo escritório. Eram utilizados documentos ideologicamente falsos (furtados ou perdidos), foram forjados contratos de locação, faturas de energia elétrica e contratos sociais. Além disso, o saque dessas contas eram feitos diretamente na tesouraria do banco, e depois os cheques, sempre de valor inferior a R$ 20 mil, eram distribuídos para os caixas no final do expediente'', explicou. ''Esse procedimento, os saques na tesouraria, pressupõe que o banco tinha plena consciência que as contas e a movimentação eram ilegais'', complementou.
De acordo com o delegado, ''há indícios que as contas eram movimentadas pela casa de câmbio de Youssef''. ''Há a prova testemunhal dos funcionários do Banestado. O ex-superintendente do Banestado de Londrina, José Colete, e o ex-gerente do banco, Wilson Maeda, disseram que as contas eram de responsabilidade de Youssef.''
Durante a investigação, mais de 750 pessoas foram ouvidas na PF. Segundo o delegado, ''não é possível estabelecer o valor'' movimentado nas contas. ''Nas contas haviam depósitos do Brasil inteiro. Somente vamos identificar a origem do dinheiro após ouvir os depositantes, mas parece-me caixa 2 de empresas'', apostou Santos.
Das 40 contas fantasmas investigadas pela PF, a mais adiantada é a da Freitas & Dutra, que teve o relatório encaminhado à Justiça Federal em abril. Por essa conta, teria passado um cheque de R$ 120 mil desviado da Prefeitura de Londrina. Outros nove inquéritos ainda estão em andamento. A Folha tentou falar com o advogado de Youssef, João dos Santos Gomes Filho, mas ele não foi localizado.


