PF conclui inquérito contra Jader
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de dezembro de 2001
Agência Folha<br>De Belém 
A Polícia Federal do Tocantins remeteu inquérito à Justiça Federal pedindo a abertura de processo contra o ex-senador Jader Barbalho (PMDB-PA) e outras 11 pessoas suspeitas de envolvimento em desvios de verba da extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Foi a primeira vez que a PF sinalizou ter indícios contra o ex-senador.
Entre os citados pela PF no inquérito finalizado ontem estão o irmão de Jader, o dentista Leonel Barbalho, o ex-superintendente da Sudam Artur Guedes Tourinho e os empresários Maria Auxiliadora e Geraldo Pinto da Silva, o ''GPS'', que intermediavam repasses de verba da Sudam.
Segundo o delegado da Polícia Federal do Tocantins, Hélbio Dias Leite, foram encontrados indícios de fraudes em todos os 48 projetos da Sudam investigados em Altamira (PA), reduto político de Jader.
Na prática, a remessa do inquérito para a Justiça Federal é uma estratégia do delegado Leite para ganhar mais tempo para a investigação, já que o prazo para a conclusão do inquérito na PF estava se encerrando.
A Polícia Federal quer que o Ministério Público Federal, que é acionado pela Justiça Federal, instaure inquérito e depois remeta o processo de volta para que a PF indicie e tome o depoimento dos envolvidos.
''Ficou constatada uma verdadeira rede de desvio de verbas na Sudam na região de Altamira'', disse o delegado. Ele não descartou pedir a quebra dos sigilos de todos os envolvidos no decorrer do processo.
Além do Tocantins, o ex-senador enfrenta investigações por desvio de verbas no Maranhão, Amazonas, Pará e Mato Grosso. Em todos os casos, a investigação é feita pela Polícia Federal e Ministério Público Federal.
O advogado de Jader, Sábato Rossetti, considerou o inquérito um ''blefe'' praticado pela Polícia Federal. ''As investigações não comprovam a autoria e nem a materialidade do delito. Não há qualquer envolvimento de Jader no caso'', disse Rossetti. Segundo ele, o ex-senador sequer foi ouvido no inquérito.
Rossetti também negou o envolvimento do irmão de Jader no esquema. ''Ele é dentista. Nunca esteve envolvido com isso'', disse o advogado. Tourinho, Auxiliadora e GPS não foram localizados para comentar a acusação.


