A Polícia Federal de São Paulo informou ontem que vai aumentar o cerco contra o uruguaio Wilker Washington Tabo Mosegue, que teria ajudado a manter na clandestinidade, por 227 dias, o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto. A decisão da Polícia Federal foi tomada ontem, depois do depoimento prestado pelas filhas do ex-juiz, Maria Cristina e Maria Inês Bairão dos Santos. Outra filha, Maria Virgínia, alegando problemas de saúde, pediu para não depor.
Segundo a PF, em uma hora de depoimento, Maria Inês afirmou que desconhece a existência de amigos ou de parentes que pudessem ter dado asilo ao ex-juiz no Rio Grande do Sul – onde Nicolau se entregou à Polícia Federal, no dia 8 de dezembro. A PF suspeita que a rendição tenha sido planejada e que o ex-juiz tenha passado a maior parte da fuga no Uruguai. ‘‘Vamos centralizar as investigações no Wilker, que poderá ajudar a esclarecer o que aconteceu nesses 227 dias’’, afirmou o assessor de comunicação da PF, Gilberto Tadeu Vieira.
A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que a filha mais velha, Maria Inês, o namorado dela, Francisco Antonio de Azevedo, e o advogado Newton de Oliveira Neves tenham ajudado a dar suporte financeiro à fuga do ex-juiz.
No depoimento, Maria Inês disse que frequentava o escritório de Oliveira Neves apenas para resolver assuntos de Nicolau, que não seriam relacionados à fuga. Mas a Polícia Federal acredita que o uruguaio tenha sido contratado pelo namorado de Maria Inês e que tenha servido como vínculo entre o ex-juiz e a família no Brasil.
Nas investigações, a Polícia descobriu várias viagens de Azevedo para o Uruguai. Lá, ele teria encontrado o grupo responsável por esconder o ex-juiz. A PF chegou a procurar Nicolau em uma fazenda de Azevedo em Minas. ‘‘Tudo leva a crer que Wilker está no Uruguai. O depoimento dele será importante para a investigação’’, afirmou Vieira.
O advogado Celso Vilarde, que acompanhou as filhas do ex-juiz, disse ser ‘‘óbvio’’ o desconhecimento delas sobre a fuga de Nicolau.

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