PF busca R$ 600 mi do esquema
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quinta-feira, 13 de março de 1997
Agência Estado 
Arquivo FolhaRomeu Tuma: só pelo IBF passaram R$ 123 milhõesBRASÍLIA - O senador Romeu Tuma (PFL-SP) e o ex-delegado da Polícia Federal Paulo Lacerda estão tentando montar um quadro que leve a Comissão dos Títulos Públicos a descobrir onde estão cerca de R$ 600 milhões de lucros obtidos com as operações irregulares de emissão de títulos por Estados e Municípios. Se decifrarmos a rede teremos chegado ao nosso objetivo, disse o presidente da CPI, senador Bernardo Cabral (PFL-AM).
O volume movimentado com a emissão dos títulos foi de R$ 3,46 bilhões. Calcula-se que do valor integral de face dos papéis emitidos por Estados e Municípios para o pagamento de dívidas judiciais cerca de 17% foram pulverizados em dezenas de empresas laranja - constituídas para dar lucro a um terceiro -, com depósitos finais em bancos no exterior. Já se sabe que o dinheiro era convertido em dólares com algum doleiro, encarregado de fazer o depósito nas instituições financeiras de fora do País.
De acordo com o relator da CPI, senador Roberto Requião (PMDB-PR), o banco que repassou valores para o ex-funcionário da Prefeitura de São Paulo, Wagner Baptista Ramos, só aceita conta de pessoas jurídicas.
Já foram identificados quatro bancos que teriam recebido o dinheiro: o Merril Lynch, de Nova York, tem conta de Wagner Baptista Ramos; o Swiss Bank Corporation, do paraíso fiscal de Grand Cayman, abriga uma conta do empresário e corretor Fausto Solano Pereira; o The First Newland Bank, de Nassau, também está com dinheiro de Wagner Ramos (US$ 270 mil) e o Nations Bank of Houston está com uma conta polêmica. A CPI afirma que é do dono do Banco Vetor, Fábio Nahoum; ele assegura ser de sua prima - Magda Fanny Torelly.
As investigações feitas por Tuma estão mais adiantadas quanto ao dinheiro movimentado pela empresa IBF Factoring, do laranja Ibrahim Borges Filho. Tuma informou que só por ela passaram R$ 123 milhões, todos cheques do Banco Dimensão, de São Paulo. Outras empresas laranja que lavaram dinheiro foram a Tradetronic, a Sabra, a SMJT, a Perfil e a Hanover, entre outras. De acordo com a CPI, a Perfil atuou na pulverização de pelo menos R$ 36 milhões dos lucros das operações com a venda de títulos de Alagoas, Pernambuco e Santa Catarina.


