Goiânia - Um esquema de desvios de recursos públicos em obras de ferrovias federais teve a participação de 37 empreiteiras, como Camargo Corrêa, Odebrecht, Mendes Júnior e Andrade Gutierrez, em fraudes de licitação e pagamento de propina a ex-servidores da estatal Valec, segundo aponta a Polícia Federal.
A suspeita de conluio foi revelada ontem na operação batizada de Tabela Periódica, deflagrada pela Polícia Federal e Ministério Público Federal em Goiás.
O mais recente desmembramento da Lava Jato, a ação é a segunda fase da Operação O Recebedor, com estimativa de que as empresas desviaram R$ 630 milhões apenas das obras da ferrovia Norte-Sul em Goiás. A construção da ferrovia Integração Leste-Oeste também foi alvo do esquema, segundo a apuração.
Os investigadores acreditam que o rombo nos cofres públicos deve ser muito maior. Eles ressaltam que há suspeitas de fraudes em trechos das obras no Tocantins, São Paulo e na Bahia, que também são investigados.
Apesar de suspeitarem de que o esquema tenha se iniciado em 1987, os investigadores conseguiram provas que consideraram robustas das fraudes a partir de 2000, ano em que o suposto cartel ainda era pequeno e contava com algumas grandes empresas. Segundo eles, a própria Valec ajudou a consolidar o suposto esquema.

LENIÊNCIA
As investigações se aprofundaram a partir de abril, quando houve acordo de leniência da construtora Camargo Corrêa com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
A empreiteira se comprometeu a devolver R$ 75 milhões e pode receber como benefício a isenção de multas administrativa e criminal ao final dos processos.
O superintendente-geral do Cade, Eduardo Frade, afirmou que o cartel fazia um jogo de cartas marcadas. "O padrão era as empresas ou os consórcios concorrentes, que deveriam estar competindo por um determinado trecho de obra, apresentarem o menor preço, mas antes concordavam em dividir lotes de licitação entre si para dar ar de legalidade", explica.
O delegado da Polícia Federal Rodrigo Teixeira suspeita que políticos também tenham se beneficiado do esquema. "Acredito que, futuramente, possa chegar a autoridades públicas com o avançar das investigações." Não foram citados nomes.

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