Brasília - A Polícia Federal vai abrir inquérito para investigar a quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa, feita irregularmente na noite da última quinta-feira. O delegado da PF, Wilson Damázio, afirmou ontem que não há hipótese da quebra de sigilo ter sido feita pela PF e que, como já foi configurado o crime, o inquérito pode ser aberto por iniciativa da própria Polícia.
A Caixa Econômica Federal informou ontem que também já está investigando a violação do sigilo bancário do caseiro. O extrato da conta poupança do caseiro na Caixa vazou para a imprensa logo depois de seu depoimento na CPI dos Bingos ser suspenso por uma liminar do STF (Supremo Tribunal Federal). Em nota oficial, a Caixa informa que vai apurar ''no âmbito interno'' a responsabilidade pelo vazamento do sigilo bancário do caseiro, que é correntista da instituição.
Nildo, como é conhecido o caseiro, denunciou às visitas do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, à mansão alugada em Brasília pelos lobistas conhecidos hoje como ''República de Ribeirão Preto'' e afirmou ter visto dinheiro chegar em malas e ser dividido na casa. Palocci sempre negou que tivesse visitado a mansão.
Na semana passada, a revista ''Época'' informou que Nildo havia recebido R$ 38 mil em menos de dois meses. O caseiro admitiu que recebeu o dinheiro de seu pai biológico, que fez uma acordo para não reconhecer a paternidade. A suspeita de que a quebra de sigilo pudesse ter sido feita pela PF surgiu quando descobriu-se que o extrato da conta de Nildo havia sido tirado às 20h58 da noite de quinta-feira. O caseiro ficou na PF até às 21 horas.
''Será apurado e vamos levar até às últimas consequências, podem ter certeza'', garantiu o delegado. A PF terá que investigar o próprio governo e a Caixa Econômica Federal, onde o caseiro tem conta bancária. O banco pode dizer quando e onde o extrato da conta foi retirado.
Os governistas e oposicionistas travaram ontem uma disputa em torno das quebras de sigilos no plenário do Senado. A disputa culminou no pedido de quebra de sigilo bancário do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, pelo senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT).
O filho do presidente foi incluído nas investigações da CPI dos Correios por ter recebido um aporte de capital de R$ 5 milhões da Telemar e uma verba anual de publicidade no mesmo valor. Os oposicionistas que integram a comissão desconfiavam que fundos de pensão pudessem ter desviado recursos para a empresa de jogos de Fábio Luiz.

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