Curitiba, São Paulo e Brasília – A Polícia Federal de Curitiba deflagrou ontem a 31ª fase da Operação Lava Jato, batizada de "Abismo". Foram cumpridos um mandado de prisão preventiva, quatro de prisões temporárias, sete de condução coercitiva e 23 de busca e apreensão. Um dos principais alvos é o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira, que foi preso no último dia 24, dia seguinte da Operação Custo Brasil, que investiga desvios do Ministério do Planejamento. O mandado dele é de prisão preventiva - ele deve permanecer detido em São Paulo.
Com exceção de Ferreira, que está detido na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, os outros presos seriam levados à sede da PF em Curitiba. Foram detidos temporariamente Edson Coutinho, ex-funcionário da Schahin Engenharia, no Rio, e Roberto Capobianco, um dos donos da Construcap, em São Paulo. Outros dois alvos de pedidos de prisão temporária são Genésio Schiavinato Júnior, diretor da Construbase, e Erasto Messias da Silva Junior, da construtora Ferreira Guedes.
Um dos mandados de condução coercitiva seria cumprido contra o empresário Walter Torre Junior, dono da construtora WTorre, mas ele não foi encontrado pelos policiais federais porque viajou há duas semanas de férias com a família para a Europa. Ele terá que se apresentar à Polícia Federal assim que voltar ao Brasil. A previsão é que ele retorne no final de agosto.
O empresário é suspeito de ter recebido R$ 18 milhões de um consórcio concorrente para desistir da licitação da obra do Cenpes (Centro de Pesquisas da Petrobras) - investigada na 31ª etapa da Lava Jato, deflagrada ontem. Por meio de nota, a construtora negou qualquer participação na licitação.
Paulo Ferreira foi deputado federal pelo PT do Rio Grande do Sul de 2012 a 2014. Ele é casado com Tereza Campello, ex-ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome do governo Dilma.
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal identificaram o pagamento de R$ 39 milhões em propina entre 2007 e 2012, como parte do contrato de construção do Cenpes (Centro de Pesquisas da Petrobras), na Ilha do Fundão, zona norte do Rio de Janeiro.
Do total, R$ 1 milhão teria beneficiado diretamente o ex-tesoureiro Paulo Ferreira. Os pagamentos a Ferreira foram realizados por contas de familiares, empresas e até por um blog e uma escola de samba de Porto Alegre, que receberam transferências do esquema por indicação do ex-tesoureiro, segundo a investigação. "Ele buscava apoio político nas mais variadas frentes", comentou o procurador Roberson Pozzobon. Um dos operadores, Alexandre Romano, funcionava como o "caixa" do ex-tesoureiro, e repassava os valores a quem ele indicava.
"Os pagamentos não revertiam às contas do partido exclusivamente, mas havia benefícios pessoais." Parentes e empresas ligadas ao ex-tesoureiro também receberam parte das transferências.
A operação ocorreu nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e no Distrito Federal.

ABISMO
As investigações da "Abismo" apuram fraude à licitação, lavagem de dinheiro, cartel e pagamento de valores indevidos a servidores da Petrobras e membros do PT, "num contexto amplo de sistemático prejuízo financeiro imposto à Petrobras", segundo a PF. "Há uma conexão entre as operações recentes", disse o procurador da República Roberson Pozzobon.

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