O Ministério Público Federal e a Polícia Federal apreenderam ontem documentos no apartamento do ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes. Oito agentes e dois delegados da PF, acompanhados dos procuradores da República Bruno Caiado e Davy Lincoln, chegaram ao prédio onde mora Lopes, em Copacabana, zona sul do Rio, por volta das 11 horas. Eles tinham um mandado de busca e apreensão de documentos contábeis e fiscais expedido pela juíza de Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal. No apartamento, estavam a mulher do economista, Araci, e uma empregada.
Segundo amigos da família, a mulher de Lopes, assustada, ligou para ele, que estava em Brasília, para prestar depoimento na comissão de sindicância do Banco Central que apura a operação de socorro aos bancos Marka e FonteCindam. O ex-presidente do BC disse à mulher para receber os agentes. Como o advogado de Lopes não foi encontrado em tempo, o advogado do síndico do prédio foi chamado pela família para testemunhar a operação. Um vizinho também foi convocado pela PF como testemunha. Mais tarde, chegaram a filha e o enteado de Lopes.
O mandado de busca e apreensão no apartamento de Francisco Lopes foi o sétimo expedido pela Justiça Federal, a pedido do Ministério Público Federal, que investiga se houve favorecimento aos bancos Marka e FonteCindam, na mudança da banda cambial. Anteontem, a PF e a Procuradoria da República foram cumprir mandados de busca e apreensão nas sedes dos dois bancos e nas residências do proprietário do Marka, Salvatore Cacciola, e do presidente do FonteCindam, Luiz Antônio Gonçalves. Também foram expedidos mandados para revistar as sucursais dos dois bancos em São Paulo.
A busca no apartamento de Lopes demorou oito horas. Disquetes, anotações pessoais de Lopes, cartas e pastas foram analisados um a um. Boa parte do material foi encontrado ainda em caixas trazidas na mudança de Lopes de Brasília para o Rio. Como a investigação corre em segredo, os procuradores não quiseram dar informações sobre o conteúdo dos documentos.
Fontes que acompanham as investigações da Procuradoria da República confirmaram que durante a revista na residência de Cacciola, anteontem, foi descoberta uma escopeta calibre 12. Os federais não acharam a licença do banqueiro para o uso da arma. Foram retirados dois carrinhos com documentos do apartamento do proprietário do Banco Marka.
A casa do presidente do Banco FonteCindam, Luiz Antônio Gonçalves, foi o único local de onde nada foi retirado. Ontem, técnicos convocados pela Procuradoria Geral da República foram ao FonteCindam para copiar arquivos da instituição sobre suas operações financeiras, durante os últimos dois meses.
A operação-devassa foi malsucedida em São Paulo, na sede do Banco Marka. Ontem pela manhã, o delegado da PF Fernando Duran foi surpreendido em sua missão de busca e apreensão de documentos. Os 640 metros quadrados do escritório estão vazios. Sumiram dali os arquivos, as pastas, os computadores, nem sequer os móveis ficaram. ‘‘Não há nada nas salas, levaram tudo, até os telefones’’, disse ele.

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