A Polícia Federal não descarta a possibilidade de as 2 mil fitas cassetes e equipamentos usados em escuta telefônica apreendidos anteontem no Rio estarem ligados ao caso do grampo do BNDES. A apreensão foi feita pela Delegacia de Cargas da Polícia Civil em um veículo Tower, de propriedade do coronel reformado da Aeronáutica Eudo Costa Santos, especialista em telecomunicações. O veículo estava com o filho do coronel, Eudo Costa Santos Filho, e era dirigido por um primo, identificado apenas como Alexandre.
O delegado da PF Eduardo da Matta, chefe da Delegacia de Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Delecoie), disse que as fitas estão sendo periciadas no Rio e que espera ter alguma pista até o fim desta semana. ‘‘Ontem ouvimos algumas e dá para perceber que há diálogos, foram gravações de telefonemas, mas não sabemos ainda se de celulares ou convencionais’’, disse Matta. ‘‘Mas, por enquanto, até vir um laudo da perícia, tudo não passa de suposição.’’ Segundo o titular da Delegacia de Cargas da Polícia Civil, Reginaldo Guilherme, o coronel e seu filho contaram que as fitas foram gravadas para rastrear possíveis colas eletrônicas nos vestibulares das universidades do Estado do Rio (Uerj), Salgado de Oliveira (Universo), Gama Filho, Veiga de Almeida e Sociedade Universitária Augusto da Motta (Suam), realizados no último domingo, dia 6. O delegado Guilherme duvidou da explicação e, diante da gravidade da apreensão, levou o caso para a Polícia Federal.
Lá, os três prestaram depoimento e repetiram a história, mas o delegado Eduardo da Matta disse que há poucas possibilidades de ela ser verdadeira. ‘‘Não podemos afirmar nada ainda, até porque trabalhamos até quase meia-noite ouvindo os depoimentos e parte das fitas’’, explicou.
Matta não quis adiantar o conteúdo do que foi ouvido nem confirmar o nome dos suspeitos. ‘‘Quem está no caso é o delegado Eduardo Prel, que passou a noite cuidando do assunto.’’ Ele adiantou que, devido ao grande número de fitas, não se sabe ainda se a perícia ouvirá cada uma ou se fará a audição por amostragem.
Na Diretoria de Administração de Pessoal (Dirap) do Ministério Aeronáutica do Rio, as informações são de que o coronel Eudo Santos Costa é reformado desde 1992. A direção do órgão não quis informar, no entanto, quais foram os últimos cargos exercidos pelo coronel.

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