PF aponta vínculo entre Kroll e servidores
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terça-feira, 03 de agosto de 2004
Agência Folha 
Brasília - O diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, disse ontem que pessoas que seriam contratadas da Kroll Associates tinham fortes ligações com a área policial e que a empresa enviou ''documentação de autoridades'' por e-mail para ''outros''. A PF ''comprovou'' o envio, segundo ele. A Kroll foi contratada pela Brasil Telecom, empresa controlada pelo Opportunity de Daniel Dantas, para investigar a Telecom Italia. A espionagem da empresa acabou resvalando em atuais integrantes do governo federal, como o ministro Luiz Gushiken (Comunicação) e o presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb.
''O que se comprovou foi o envio de documentos de autoridades através (sic) de meios eletrônicos e e-mail para outros, por parte dos envolvidos'', disse Paulo Lacerda. De acordo com ele, o pessoal da Kroll mantinha ''fortes ligações com a área policial'', dado o tipo de informação que a empresa buscava adquirir. Nas investigações, já foi identificada a participação de um delegado da PF e de servidores do Banco Central e da Receita Federal.
''O que existe: a investigação é ampla e à medida que surgem evidências de envolvimento de funcionários públicos investigamos. Esse grupo (da Kroll) tinha fortes ligações com a área policial'', afirmou o diretor-geral. A PF investiga a Kroll Associates desde março, no inquérito aberto originalmente para apurar remessas da Parmalat do Brasil para o exterior.
Contatada ontem por meio de sua assessoria de imprensa, a Kroll não se pronunciou até o início da noite. A empresa sempre negou ter praticado espionagem de membros do governo e afirma agir dentro dos limites da lei.
Segunda-feira, a Justiça Federal não atendeu o pedido da PF para que o português Tiago Verdial, representante da Kroll no Rio, permanecesse preso. Ele foi detido no dia 24 de julho, dois dias depois de a ''Folha de S.Paulo'' divulgar que a Kroll espionara membros do atual governo. Anteontem, venceu o prazo de dez dias de sua prisão temporária. O juiz da 5 vara federal de São Paulo, Claudio Pacheco, não acolheu o pedido da PF de ampliar a prisão por mais 30 dias, por entender que não havia indícios contra ele.
Para o diretor da PF, o inquérito entra agora em uma fase ''mais tranquila'' com a liberdade de Verdial. ''A investigação prossegue até de forma mais tranquila. A PF está no caminho certo.''
O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, afirmou que a libertação de Verdial, acusado de espionagem contra empresas telefônicas e autoridades brasileiras, além de tráfico de influência e corrupção de testemunha, não prejudica as investigações.


