O relatório final da operação Déjà Vu II, divulgado ontem pela Polícia Federal (PF), apontou um desvio de mais de R$ 18,9 milhões em recursos federais por meio de organizações da sociedade civil de interesse público (Oscips).
A operação foi deflagrada no dia 5 de abril, e resultou na prisão de 16 pessoas - 12 delas no Paraná. Dez foram em Curitiba e duas em Foz do Iguaçu. Foram presos mais dois envolvidos no Acre, um no Mato Grosso do Sul e um no Distrito Federal. Em Santa Catarina houve busca e apreensão.
A investigação começou em dezembro de 2009, quando o Ministério da Justiça (MJ) recebeu uma denúncia sobre fraude em duas Oscips.
O MJ também solicitou a centralização do trabalho em Curitiba, porque a Agência de Desenvolvimento Econômico e Social (Adesobras) e o Instituto Brasileiro de Integração e Desenvolvimento Pró-Cidadão (Ibidec) são da capital. Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Federal, as duas Oscips estavam contratando serviços como consultoria e os mesmos não eram prestados.
Após 30 dias de análise dos documentos apreendidos e de mais de 30 depoimentos, a PF teria comprovado o envolvimento dos 21 indiciados - dentre eles servidores públicos. Segundo a investigação, as Oscips receberam aproximadamente R$ 110 milhões de verbas públicas, no período de 2004-2010. Conforme apurado na análise dos documentos apreendidos, apenas para as sete empresas de assessoria ''de fachada'' receberam das referidas Oscips R$ 18,9 milhões - montante estimado dos recursos públicos desviados pela organização criminosa.
Dos 16 presos no dia 5, quatro ainda permanecem presos preventivamente. Parte dos valores desviados já foram recuperados mediante sequestro de bens imóveis, veículos e investimentos financeiros adquiridos pelos envolvidos.

mockup