Curitiba - O delegado da Polícia Federal José Francisco Castilho Neto, assessor especial da Corregedoria e Ouvidoria-Geral do Estado, está analisando a denúncia de supostos prejuízos que a Fundação Copel teria tido em 2004 por causa de investimento no Banco Santos. A denúncia foi feita pelo governador Roberto Requião (PMDB), na Escola de Governo, no dia 17.
''A Polícia Federal vai fazer um levantamento total para angariar indícios e constatar se houve crime de corrupção. Se comprovarmos que houve dolo, o inquérito administrativo será traduzido em notícia-crime, que será entregue ao Ministério Público Federal, onde o caso deverá ser apurado no âmbito criminal'', informou o delegado, que anunciou a medida ontem na Escola de Governo.
Requião denunciou que em 2004 ele teria determinado à Fundação Copel - fundo de aposentadoria dos empregados da estatal - para que retirasse R$ 166 milhões que mantinha aplicados no Banco Santos, uma vez que ele tinha tomado conhecimento de que o banco iria falir. A fundação, no entanto, retirou R$ 130 milhões e manteve R$ 36 milhões, tendo perdido esta quantia com a falência do banco.
Tanto Requião quanto Castilho afirmaram que a investigação indica que o ex-presidente da Copel, Paulo Pimentel, foi quem descumpriu a determinação do governador. ''Mas minha determinação não foi cumprida. Houve contraordem, da qual não tive conhecimento, de Paulo Pimentel, então presidente da Copel'', afirmou o governador.
Em sua exposição, Castilho apresentou e-mails trocados entre diretores da Copel, em 2004, e uma gravação com o então diretor de Gestão Corporativa da companhia, Gilberto Griebler. E-mail enviado pelo então diretor-financeiro da estatal, Ronald Ravedutti, ao então presidente da Fundação orienta para que recursos da Fundação Copel sejam retirados do Banco Panamericano, do empresário Sílvio Santos, dono da rede de televisão SBT, da qual Pimentel detinha à época uma emissora afiliada. ''Não parecia bem a manutenção desse tipo de relação'', afirmou o governador.
Procurado pela reportagem, Pimentel afirmou que o governador encaminhou a Ravedutti a determinação de retirar os recursos da Fundação Copel do Banco Santos e do Banco Panamericano. ''Eu não tinha a ver com isso. Até porque a Fundação não é subordinada à Copel'', explicou.
Segundo Pimentel, o caso foi investigado à época pela Superintendência de Seguros Privados, órgão do Ministério da Fazenda que fiscaliza previdências privadas. ''Isso foi investigado e arquivado. O Requião sabe disso, mas optou por não mencionar'', apontou. ''Nenhum ato delituoso foi praticado'', afirmou.
Para o ex-presidente da Copel, a acusação feita pelo governador é uma forma de desviar a atenção da imprensa. ''Ele não sabe explicar a venda do Terminal Ponta do Félix e para não se defender, contra-ataca com essa história'', acusou. (Colaborou Rosiane Correia de Freitas)

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