Sete testemunhas intimadas informalmente a prestar depoimento ontem na Polícia Federal (PF) não se apresentaram ao delegado Kandy Takahashi. Elas seriam ouvidas no inquérito que apura denúncias de supostas irregularidades na prestação de contas da campanha de reeleição do prefeito Nedson Micheleti (PT).
Segundo o delegado, todos teriam trabalhado na publicidade da campanha e não justificaram o não atendimento à intimação. Conforme Takahashi, no meio da tarde, o advogado criminalista constituído pelo diretório municipal do PT, João dos Santos Gomes Filho, teria justificado por telefone que as testemunhas não teriam comparecido porque ele estaria em viagem e não poderia acompanhar os depoimentos.
''Foi mantido contato com o advogado João Gomes e ele se comprometeu que na segunda-feira irá apresentar as testemunhas que a gente precisa ouvir. Se não forem apresentadas, serão expedidas intimações para que elas compareçam sob pena de desobediência. Vamos aguardar a chegada do pessoal. Se não vierem, em determinado horário vai sair o camburão com a intimação desse pessoal'', disse o delegado. ''Eu estava aguardando a colaboração dessas testemunhas, já que está sendo um pouco difícil, então a gente vai usar dos meios legais para fazer com que essas testemunhas venham até aqui à Polícia Federal.''
De acordo com Takahashi, diversas dessas testemunhas teriam argumentado que estariam se sentindo intimidadas a comparecer devido a presença da imprensa na entrada da sede da PF. Para contornar a situação, o delegado autorizou essas pessoas a entrarem com os carros no estacionamento da delegacia e acessarem o prédio pela porta dos fundos.
O delegado não acredita que o advogado possa interferir nos depoimentos das testemunhas. ''Ele vai ter livre acesso e se ele quiser acompanhar as oitivas, a gente vai respeitar. Essas testemunhas têm a obrigação de falar a verdade'', afirmou.
Takahashi aguarda para a próxima semana os dados da quebra de sigilo bancário de três ex-coordenadores da campanha de Nedson. Um deles é o ex-coordenador estrutural, Augusto Ermétio Dias Júnior, que teve o sigilo de sua conta bancária quebrado durante todo ano de 2004. O delegado não revelou os nomes dos outros ex-coordenadores. ''A gente precisa ver exatamente a movimentação que houve no ano passado e verificar se houve alguma movimentação anormal como depósitos sem origem, ou com origem duvidosa.''
Nos cálculos de Takahashi, o inqúerito aberto no dia 29 de julho deverá ser concluído entre 60 e 90 dias. Takahashi irá se licenciar do cargo até o dia 25. O inquérito ficará sob a responsabilidade do delegado Fernando Lara. ''Todos os feitos desses cinco dias em que ele estará afastado já estão preparados dentro da dinâmica do projeto de investigação do inquérito'', afirmou.
A reportagem tentou entrar em contato com Gomes Filho, mas o telefone celular dele estava desligado.

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