PF aguarda renúncia para indiciar Jader
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terça-feira, 02 de outubro de 2001
Edson Luiz<br> Agência Estado<br> De Brasília 
Assim que renunciar, o que pode ocorrer até sexta-feira, o ex-presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA) será indiciado pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento nas fraudes da extinta Sudam e poderá ser processado por peculato e formação de quadrilha. Os procuradores descartam qualquer armação para prendê-lo após a renúncia.
Além disso, depois da renúncia, o Ministério Público Federal (MPF) centralizará em Jader as apurações relacionadas ao caso Sudam. O senador será chamado a depor e poderá ser denunciado pelos procuradores federais. A decretação de sua prisão preventiva ainda depende de novas investigações.
As investigações feitas tanto pela PF quanto pelo MPF indicam o envolvimento de Jader em pelo menos cinco fraudes na Sudam. O caso mais grave envolve o empresário José Osmar Borges, dono de seis projetos financiados pela Sudam, todos fraudados, segundo procuradores.
Ao quebrarem o sigilo telefônico de Borges, os procuradores encontraram 700 ligações para os gabinetes da liderança do PMDB no Senado, de Jader e de seu primo, o deputado José Priante (PMDB-PA) e para a fazenda do senador. Foram detectados também 131 telefonemas da casa de Jader, em Brasília, para o empresário. Na posse na presidência do Senado, Jader negou ser amigo de Borges.
Além disso, extratos bancários de Borges comprovaram que o empresário - ex-sócio da mulher de Jader, Márcia Cristina Zaluth Centeno - depositou em setembro de 1996, R$ 400 mil na conta do jornal ''Diário do Pará'', pertencente ao senador. ''Descobrimos o depósito na conta da empresa, mas temos fortes indícios de que há também dinheiro de Osmar Borges para a conta de Jader. Isso será comprovado depois de concluirmos a análise do sigilo bancário'', diz um procurador envolvido no caso.
Após a renúncia de Jader, os inquéritos que estão no STF serão enviados para a Justiça Federal em Tocantins e Pará. O primeiro passo será tomado pela PF na próxima semana. O delegado Hélbio Dias Leite decidiu indiciar o ex-presidente do Senado a partir do depoimento de quatro empresários em Altamira - um dos redutos eleitorais de Jader - que acusaram o senador de ter recebido dinheiro de financiamento da Sudam. Um deles, Danny Gutzeit, afirmou ter depositado R$ 70 mil na conta do Ranário Touro Gigante, de Márcia Cristina.
Os procuradores federais de Tocantins, Pará, Mato Grosso e Amazonas também só esperam a renúncia de Jader para poder denunciá-lo - fase em que começa a ação penal.


