PF acha grampos em comitê do PSDB
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sexta-feira, 17 de setembro de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Um grampo telefônico e vários aparelhos de escuta e transmissão radiofônica clandestinos causaram alvoroço no comitê de coordenação da campanha do candidato a prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB). Os aparelhos foram descobertos ontem em uma vistoria da Polícia Federal (PF) realizada após a descoberta, na terça-feira, de um aparelho escondido no forro da sala do coordenador geral da campanha, Fernando Ghignone. Segundo Ghignone, a sala era utilizada para tomar as decisões mais importantes da campanha e era utilizada também pelo próprio Beto em suas visitas ao comitê.
Ghignone estima que os grampos já estivessem instalados na casa há cerca de três semanas. ''Começamos a notar que nem bem entrávamos com uma medida judicial no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) já havia uma resposta por parte dos adversários. Contratamos uma empresa para realizar uma varredura no prédio e foi encontrado o aparelho'', afirmou. Segundo a empresa contratada, o aparelho é capaz de transmitir o áudio captado a uma distância de 200 metros.
Ontem a PF foi ao comitê realizar uma perícia no aparelho e encontrou o grampo na central telefônica do comitê, além de outros aparelhos de escuta espalhados pela casa, onde funciona o comitê. Segundo informações da assessoria do órgão, um inquérito policial deve ser instalado para apurar os responsáveis pelos grampos. Os aparelhos também serão checados para verificar a potência e a abrangência da escuta.
Ghignone não quis levantar suspeitas quanto aos responsáveis pelo grampo. Segundo ele, a agilidade nas respostas jurídicas vinha de mais de um comitê, o que implicaria no fato de que a ''Rádio Beto Richa'' tinha uma boa audiência na vizinhança do comitê.
De acordo com Ghignone, a Polícia Militar (PM) chegou a invadir o comitê na quinta-feira durante a noite, suspeitando de que se tratava de um aparelho que transmitisse na frequência da PM. Quatro policiais militares fardados e dois à paisana renderam os seguranças do comitê em busca do aparelho. ''O curioso é que supomos que o aparelho está aí faz três semanas, mas a PM só percebeu a presença dele na quinta, depois que já havíamos feito a denúncia do grampo para a Polícia Federal'', destacou Ghignone.


