PF acata ordem judicial e devolve material à CEF
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sexta-feira, 13 de agosto de 2004
Agência Estado 
Brasília - Levou mais de 24 horas para que a Polícia Federal (PF) acatasse a decisão da Justiça e devolvesse os computadores e documentos apreendidos, irregularmente, na sede da Caixa Econômica Federal (CEF), em Brasília. Isso só aconteceu depois que a juíza Maria de Fátima de Paula Pessoa Costa reiterou a decisão tomada anteontem. Durante esse período, Maria de Fátima ainda foi procurada pelo delegado que chefiou a operação, Antônio César Nunes, para que mantivesse as apreensões feitas. O pedido de Nunes foi recusado e, no início da noite, os funcionários da Caixa foram para a Superintendência da PF, em Brasília, com o objetivo de pegar de volta os materiais.
O fato de a polícia ter ignorado por tanto tempo a determinação judicial só serviu para azedar ainda mais a relação com a Caixa. Em nota oficial, pouco antes de obter a garantia da Justiça de que a ordem seria cumprida, a Caixa acusou o delegado, que comandou a operação, de desrespeitar a decisão judicial, exigindo a imediata devolução dos computadores e dos documentos apreendidos ilegalmente. ''A Caixa espera que tal ato de exceção seja revertido e os responsáveis punidos na forma da lei'', diz o comunicado.
A briga da Caixa com a PF acirrou-se na noite anterior. Como o delegado se recusasse a cumprir a ordem judicial, mesmo depois de ter sido informado pelo oficial de Justiça, a Caixa tinha manifestado o inconformismo e repúdio pela situação. Segundo funcionários, a PF entrou na instituição pública como quem persegue bandido nos morros, tirando gente do elevador, jogando armas em cima das mesas e pulando roletas.
A ação na polícia na Caixa foi mais um capítulo do episódio Waldomiro Diniz, que ontem completou seis meses. De posse da ordem da juíza, mulher do advogado-geral da União, Álvaro Ribeiro da Costa, a PF entrou na Caixa para apreender agendas e documentos com o objetivo de auxiliar na investigação que busca provar o envolvimento do ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil na intermediação para a renovação do contrato de prestação de serviços de loterias entre a instituição e a multinacional Gtech.


