A Polícia Federal (PF) abriu ontem um inquérito para apurar as denúncias, feitas pela revista ‘‘Veja’’, sobre uma conta bancária nos Estados Unidos para o suposto pagamento de propinas ao ex-diretor do Banco Central (BC) Francisco Lopes por informações privilegiadas. Além disso, a PF investigará a existência de telefones celulares que teriam sido usados para o vazamento das informações e uma fita na qual o ex-dono do Banco Marka, Salvatore Alberto Cacciola, confirmaria o esquema. O governo brasileiro mandará um delegado federal à Itália para ouvir Cacciola.
O ministro da Justiça, José Gregori, classificou como ‘‘fantasia’’ a alegação da revista de que o governo sabia da chantagem que o banqueiro teria feito, por meio das fitas. ‘‘Isso é um absurdo’’, disse Gregori, explicando que o inquérito aberto ontem será apenas uma extensão do existente no Rio, que apura o socorro financeiro dado aos Bancos Marka e FonteCidam, onde Cacciola figura como indiciado com outros dez acusados.
Ontem, Gregori enviou ao embaixador da Itália no Brasil, Vincenzo Petrone, um pedido de franqueamento da entrada do delegado federal Francisco Lopes de Anchieta no país para ouvir o depoimento de Cacciola sobre as denúncias. Gregori disse que tem recebido indicações positivas de que as autoridades italianas estão empenhadas no pedido de extradição do ex-banqueiro italo-brasileiro que teve a prisão preventiva decretada no Brasil no ano passado.
As denúncias causaram sobressalto em Brasília. O Congresso imediatamente convidou para depor o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e a diretora de Fiscalização do Banco Central, Tereza Grossi, à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Malan deve comparecer à CAE no dia 29. Os líderes dos partidos governistas deixarão de esforçar-se para poupar o ministro.
Na avaliação dos governistas, em especial dos tucanos, este é o momento ideal para pôr Malan na linha de frente de defesa do governo. ‘‘O Malan vai se sair bem no depoimento, mas ninguém pode ter a segurança de que ele será poupado por nenhum partido até porque há muitas queixas’’, afirmou ontem o presidente da CAE, senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE). Ontem, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, também foi convidado para prestar esclarecimentos sobre as denúncias.

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