Brasília - A experiência no pré-sal - até então, a exploração do petróleo sempre se restringiu à camada do pós-sal - deve levar a Petrobras a participar na linha de frente da disputa por campos de petróleo na costa africana. Naquela região, há suspeita da existência de uma camada de petróleo no pré-sal semelhante à encontrada no mar brasileiro. A Petrobras confirma o interesse pela área, mas não deu detalhes até agora.
''A Petrobras está na briga. Onde houver oportunidade de adquirir uma área para explorar, ela vai explorar. Porque agora ela tem mais conhecimento do que as outras empresas, em função da experiência brasileira no pré-sal'', disse o gerente de planejamento do pré-sal, Mauro Yuji. Segundo ele, cada país da África tem uma legislação diferente com relação à cessão de uma área para exploradores. A Petrobras já tem áreas naquela região, mas Yuji não soube informar qual o tamanho dos negócios brasileiros por lá.
Ele afirma que, numa eventual descoberta de petróleo no pré-sal da costa africana, a Petrobras pode sair na frente ao ofertar tecnologia. ''Se você pensar que as sondas de águas ultraprofundas é um recurso crítico, a Petrobras sai na frente porque ela vai dominar a tecnologia'', disse Yuji. A exploração no pré-sal seria a fase mais avançada de uma trajetória que começa em terra e segue para águas rasas, águas profundas e águas ultraprofundas.
A especulação em torno da costa africana tem explicação geológica. É que o surgimento do pré-sal brasileiro teria ocorrido após a formação de depressões decorrentes da separação no passado das terras brasileiras e africanas. ''Em princípio, a costa africana seria o 'espelho' do Brasil. Por isso tem tanta gente de olho'', explicou Adali Spadini, geólogo da Petrobras.
Mas, nem mesmo na costa brasileira, se tem certeza sobre o volume de petróleo que será encontrado. Embora a província do pré-sal anunciada tenha 149 mil quilômetros quadrados, que vai do sul do Espírito Santo até o norte de Santa Catarina, não é correto afirmar que há petróleo em toda a região.
O entusiasmo pela descoberta se deve principalmente aos 13 poços já perfurados com o objetivo de encontrar indícios de petróleo no pré-sal. A taxa de sucesso foi de 85%, acima da média mundial de 30%, ou seja, quando, de cada dez poços perfurados, em três há indícios de petróleo. (C.S.)

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