O presidente Fernando Henrique Cardoso escolheu, convidou e obteve resposta afirmativa do ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros para ocupar a presidência da Petrobrás, em substituição a Joel Rennó, informou ontem o jornal ‘‘O Estado de S. Paulo’’. Mendonça de Barros, porém, quer esperar a conclusão do inquérito que apura se houve ou não favorecimento ao Banco Opportunity na privatização da Telebrás para, só depois, assumir o cargo.
Fernando Henrique tentava falar com Mendonça de Barros desde o carnaval e conseguiu encontrá-lo na terça-feira, um dia depois de seu regresso de uma viagem de férias na Europa. Conversaram por telefone. Na quinta-feira o ex-ministro almoçou, em São Paulo, com o ministro das Minas e Energia, Rodolfo Tourinho, e acertaram o compromisso.
Além do presidente da estatal, Joel Rennó, serão substituídos todos os atuais integrantes da diretoria e do Conselho de Administração da estatal. Depois da posse, Mendonça de Barros vai tratar da escolha de nomes para os cargos, mas já encontrará algumas indicações, entre elas a do atual dirigente do Grupo Itamaraty, Antonio Maciel Netto, que conhece bem a empresa por dentro, por ter sido ex-funcionário e ex-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet).
A primeira ação de Mendonça de Barros será convocar assembléia-geral de acionistas para mudar o estatuto da estatal, que está defasado desde setembro de 1997, quando foi aprovada a lei que tirou da Petrobrás a responsabilidade pela execução do monopólio do petróleo.
A demissão de Joel Rennó e demais diretores está decidida há mais ou menos um ano, mas uma sucessão de fatos deram à ele sobrevida prolongada. Ora era o temor por uma reação do Congresso, que poderia se refletir negativamente em votações de matérias de interesse do governo, ora as eleições recomendavam não mudar, ora a crise econômica absorvia todo o tempo do presidente.

mockup