Petrobras confirma demissão de Cerveró
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sexta-feira, 21 de março de 2014
Das Agências 
São Paulo - Nestor Cerveró, ex-diretor da área internacional da Petrobras, teve na noite de ontem a demissão do cargo de diretor-financeiro da Petrobras Distribuidora confirmada pela empresa. Em nota, a estatal informa que seu conselho de administração aprovou, em reunião ontem, "a destituição do diretor financeiro da companhia, Nestor Cuñat Cerveró".
O presidente da subsidiária da Petrobras, José Lima de Andrade Neto, acumulará interinamente a diretoria financeira. Cerveró era diretor da estatal quando a operação de compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), foi aprovada. O negócio foi prejudicial para a estatal, como revelou o jornal O Estado de S. Paulo em julho de 2012. O jornal revelou nesta semana que a presidente Dilma Rousseff participou da decisão como presidente do Conselho de Administração - a presidente alegou que o conselho tomou a decisão com base em relatório "falho" preparado pelo diretor da área internacional.
Oposição
Líder do PSDB, o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) pediu ontem à Petrobras cópia do processo administrativo da estatal que autorizou a compra da refinaria, em 2006. O senador usou a Lei de Acesso à Informação para ter acesso aos documentos e disse esperar que a Petrobras atenda a solicitação da oposição no prazo legal de 30 dias. O tucano apresentou o mesmo pedido ao Ministério de Minas e Energia e também solicitou à pasta acesso ao processo aberto contra o grupo Astra - que vendeu a refinaria à empresa brasileira.
O senador disse que, com os documentos em mãos, poderá analisar a justificativa apresentada pela presidente Dilma Rousseff para ter avalizado a compra da refinaria. Na época, Dilma era presidente do Conselho de Administração da Petrobras, órgão da estatal responsável por autorizar a compra. "Ao dizer que o Conselho de Administração da Petrobras decidiu comprar Pasadena com base em informações frágeis, Dilma Rousseff desmerece um dos maiores ativos da empresa: a excelência de seu corpo técnico", disse o senador.
Na busca de justificar seu voto a favor da compra da refinaria durante reunião do Conselho de Administração da Petrobras em 2006, Dilma disse que aprovou a operação com base em um parecer "técnica e juridicamente falho" por não conter a informação de cláusulas que, se soubesse da sua existência, não seriam aprovadas por ela. Executivos da Petrobras desmentiram a versão da presidente ao afirmar que todos os membros do conselho têm acesso pleno às informações, que passam por diversas instâncias da estatal antes de chegarem ao conselho.
A compra da refinaria é investigada por três instâncias: Polícia Federal, Ministério Público e Tribunal de Contas da União. O preço do negócio motiva as suspeitas. A Petrobras pagou US$ 360 milhões à Astra Oil por 50% da refinaria, em 2006. Um ano antes, a belga havia adquirido a unidade inteira por US$ 42,5 milhões. A estatal brasileira ainda pagou mais US$ 820,5 milhões no negócio, pois foi obrigada judicialmente a comprar os outros 50% da refinaria com base em uma cláusula no contrato estabelecendo que, em caso de litígio entre sócios, um deveria comprar a parte do outro.
O deputado federal Antonio Imbassahy, líder do PSDB na Câmara e autor de requerimentos que deram origem às investigações contra a Petrobras, afirmou ontem que as declarações da presidente Dilma Rousseff sobre a compra da refinaria de Pasadena "empurram a Petrobras para o abismo". Segundo o deputado, a pauta do Conselho de Administração da estatal é preparada pelo presidente do colegiado.
"É uma covardia da presidente transferir a responsabilidade para a Petrobras. A declaração faz parecer que a empresa não é estruturada", completou Imbassahy. Ele também entrou com requerimentos no Tribunal de Contas da União (TCU) e no Ministério Público Federal (MPF) solicitando investigações sobre o contrato da estatal com a SBM Offshore, empresa holandesa suspeita de pagar propina no valor de US$ 139 milhões a funcionários da Petrobras.
CPI na Câmara
O PSDB vai apoiar a instalação de CPI na Câmara para investigar a Petrobras, com foco na compra da refinaria. Na terça-feira, partidos de oposição vão se reunir para traçar estratégias para que a comissão seja instalada. Para emplacar a CPI na Câmara, a oposição tem um desafio de conquistar o apoio de mais de 150 deputados governistas. Os oposicionistas não descartam também pedir CPI no Senado, onde são necessárias 27 assinaturas para sair do papel.
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