O superintendente dos Portos de Paranaguá e Antonina, José Aníbal Petraglia, formalizou ontem o seu afastamento do governo. A carta de demissão foi entregue por volta das 10 horas em Curitiba ao secretário dos Transportes, Heinz Herwig. O anúncio de José Aníbal coincide com o fim da crise do Clube Atlético Paranaense, dirigido pelo seu irmão, o empresário Mário Celso Petraglia.
A saída do superintendente ‘cai como uma luva’ para o secretário dos Transportes. Pressionado pelos deputados estaduais que o conduziram ao cargo, Herwig estava com dificuldades de pôr em prática o remanejamento de Petraglia. A ‘cautela’ do governador Jaime Lerner, que não estaria disposto a se contrapor com a família Petraglia, forçava o adiamento do plano.
As posições políticas do superintendente, que apoiou nas eleições municipais do ano passado o adversário dos aliados do governador em Paranaguá, o atual prefeito Mário Roque das Dores (PSDB), teriam o inviabilizado no cargo. Como se não bastasse o apoio ao tucano, o superintendente trabalhou contra o candidato do PTB local, ex-prefeito Vicente Elias.
Até ontem à noite, o secretário dos Transportes ainda não havia anunciado um substituto para José Aníbal Petraglia. Deve formalizar o nome durante uma entrevista, às 10h30, na sede da Secretaria em Curitiba na próxima segunda-feira. O presidente da Ferroeste, Osires Stenghel Guimarães, é o mais cotado para acumular a função. O convite teria partido do governador.
Stenghel disse à Folha ontem que ainda não aceitou a proposta, que segundo ele, ainda vai ser formalizada. ‘‘Muita coisa está pesando na minha decisão. Tenho família e muitas questões em jogo’’, sinalizou o presidente da Ferroeste, que diz não ter ‘‘mais idade para a função’’.
O pedido de demissão de José Aníbal Petraglia foi cercado de mistério. Só antecipou a decisão do afastamento para o diretor administrativo do Porto, Roberto Coutinho, capitão de Marinha vindo de Florianópolis. Consultou o irmão, Mário Celso, e disse que teve ‘‘todo o apoio’’ para deixar o cargo. ‘‘Mano, faça o que a tua consciência manda. Foi o que ele (Mário Celso Petraglia) me disse’’, garante o superintendente.
Segundo ele, a sua decisão ‘‘não teve cunho político’’. ‘‘As questões partidárias são complicadas, mas não me afetaram. Saio de cabeça erguida. Abro mão de um super-salário para me tornar um desempregado’’, desconversa José Aníbal que diz estar disposto a se dedicar a iniciativa privada.
Ele sai da função com um discurso de que já cumpriu a sua obrigação. ‘‘O Lerner é amigo da nossa família há 30 anos. E eu continuarei sendo um dos seus macacos de auditório’’.

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