Petraglia diz que não sabia de falsificação
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de junho de 1997
Curitiba 
A falsificação da assinatura do governador Jaime Lerner num documento enviado ao Ministério dos Transportes em 1995 para favorecer a empreiteira Mendes Junior Engenharia S.A., num contrato com o Porto de Paranaguá, voltou a causar arrepios no governo. O ex-presidente dos Portos de Paranaguá e Antonina, José Aníbal Petraglia, aproveitou os últimos dias da sua gestão - entregou o cargo ontem a Osires Stenghel Guimarães - para preparar um documento explicando por que não apurou a denúncia feita pelo ex-secretário dos Transportes Deni Schwartz, durante o discurso de despedida da pasta, e que pode envolver um deputado da bancada federal.
Petraglia diz que só veio saber da falsificação no dia do discurso inflamado de Schwartz, no início de junho deste ano. A questão mencionada pelo ex-secretário refere-se a um contrato firmado anteriormente ao governo Jaime Lerner, o qual foi celebrado entre o Ministério dos Transportes e uma empreiteira objetivando a então construção do Terminal de Conteineres, e que foi prorrogado por duas vezes por determinação daquele Ministério, justificou através de uma nota oficial.
O ex-superintendente observa ainda que a única participação que teve em todo o processo foi determinar o recolhimento do Adicional de Tarifa Portuária (ATP), que na época estava em atraso. Desconhecemos até hoje detalhes das assertivas contidas no discurso de Schwartz, alega Petraglia emendando que não participou das discussões nem na elaboração dos documentos.
O secretário dos Transportes, Heinz Herwig, disse à Folha que só vai determinar uma investigação interna para apurar a denúncia se Deni Schwartz fornecer mais detalhes da falsificação. Herwig disse desconhecer que o governador Jaime Lerner tenha segurado a informação na época. Com apenas estes dados não tenho condições de sustentar uma apuração séria, argumenta o secretário.
Na verdade, o governo resiste em revelar os detalhes da denúncia, mantida em sigilo durante meses. A base governista na Assembléia Legislativa derrubou dois requerimentos, um do PMDB e outro do PT, pedindo a vinda do ex-secretário a plenário. Schwartz evita dar declarações. Depois que deixou a pasta, deixou de circular nos meios políticos. Passa a maior parte do tempo, retirado na sua fazenda em Nova Prata do Iguaçu, no sudoeste do Paraná.


