Brasília - O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou ontem que o partido vai introduzir, na carta compromisso dos candidatos petistas nas eleições municipais de outubro, cláusula em que se declaram "plenamente responsáveis" por sua campanha, principalmente pelo financiamento. O objetivo é evitar que o partido seja responsabilizado por atos de corrupção eleitoral praticados por algum de seus integrantes. "Não é desconfiança de ninguém, mas, como muitas vezes há um erro, um deslize, não queremos que haja nenhuma responsabilização do partido", afirmou Falcão, durante reunião da Executiva Nacional do PT. Segundo ele, diante das novas regras que não permitem o financiamento privado, o partido pretende "fiscalizar bastante" toda a campanha, para evitar que o financiamento empresarial continue. "A campanha vai exigir criatividade, ampla participação da militância, da sociedade organizada, dos movimentos sociais. Vai requerer formas criativas de financiamento.".
Falcão afirmou ainda que, para o PT, a nomeação do ministro Nelson Barbosa para o Ministério da Fazenda em substituição a Joaquim Levy "marcou uma diferença", pois pelo menos "desinterditou" o debate sobre mudanças na política econômica. O dirigente ressaltou mudanças positivas já realizadas na economia desde a troca, mas defendeu que é preciso abrir uma "nova etapa no debate" da política econômica. Entre as mudanças positivas, Falcão citou o aumento, acima da inflação, do salário mínimo e dos pisos da previdência e dos professores; a regulamentação da lei que altera o indexador da dívida de estados e municípios com a União; a sanção lei que permite aos advogados ter acesso aos autos dos processos em qualquer fase do inquérito e o custeio de cirurgias pelo SUS para mulheres vítimas de violência sexual. "Embora tenha arrefecido, a campanha dos golpistas ainda não cessou, e é preciso combatê-la. E uma das medidas de fortalecer a resistência antigolpista é abrir uma nova etapa no debate da política econômica", afirmou. Falcão defendeu também a discussão prévia com representantes dos trabalhadores, aposentados, empresários e governo da proposta de fixação da idade mínima para aposentadoria. Segundo ele, o governo não pode fazer a discussão "de cima para baixo".

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