Cerca de 50 militantes do PT promoveram ontem um ato de protesto em frente ao prédio em que funciona o setor de pesquisa e mídia do Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião e Pesquisa), no centro do Rio de Janeiro. Na manifestação, organizada pelo diretório regional do partido, os petistas criticaram a suposta manipulação de pesquisas eleitorais a favor da reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso e dos candidatos de sua coligação.
‘‘Com esse protesto, queremos demonstrar nosso repúdio contra a manipulação do processo eleitoral’’, disse o presidente do diretório do PT no Rio, Domício Mascarenhas. ‘‘Esse ato é apenas o primeiro e será seguido por muitos outros’’, afirmou.
Com diversas bandeiras do partido, os militantes promoveram esquetes teatrais e fizeram uma lavagem da calçada em frente ao prédio com sabão e creolina. Pesquisadores do Ibope foram representados por um boneco que utilizava um aparelho denominado ‘‘mentirômetro’’.
Ao final do protesto, os petistas destinaram um coro de vaias ao diretor-executivo do instituto, Carlos Augusto Montenegro, que não esteva ontem no local. ‘‘Todos os erros foram contra nós, isso não pode ser coincidência’’, afirmou a deputada estadual Heloneida Studart, que participou do ato. Para ela, os institutos de pesquisa perderam a credibilidade e estão desmoralizados.
Enganosa Em Porto Alegre, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) condenou ontem a ‘‘utilização das pesquisas eleitorais como instrumento de publicidade enganosa, violentando a livre manifestação do voto’’. Para a Ordem, as pesquisas ‘‘representam um desserviço à plenitude democrática’’. As críticas foram apresentadas pelo Colégio de Presidentes dos Conselhos Seccionais da OAB, que se reuniu durante três dias na capital gaúcha. O documento ganhou o nome de ‘‘Declaração de Porto Alegre’’.
O manifesto também condena a proposta de uma miniconstituinte em 1999. ‘‘A eventual outorga de poderes revisionais da Constituição’’ ao Congresso que acabou de sair das urnas ‘‘não passará de manobra política’’, diz o texto. Para a entidade, se isto acontecer, haverá ‘‘riscos de prevalência de fisiologismos e conveniências inaceitáveis’’. A OAB defende que a reforma política deve ser prioridade diante de qualquer projeto de alteração constitucional, servindo de ‘‘base segura’’ para as demais mudanças.
A ‘‘Declaração de Porto Alegre’’ assinala que a crise financeira mundial ‘‘não pode servir de justificativa para retrocesso nos critérios democráticos de legislação, com uso inconstitucional de medidas provisórias e sacrifícios desnecessários ao povo brasileiro, em proveito dos especuladores nacionais e internacionais’’.
O documento cita a adaptação do Poder Judiciário à realidade nacional, ‘‘com redução dos custos de acesso à justiça, estabelecimento de controle externo dos atos administrativos, não implantação de efeito vinculante’’, entre outras medidas, como ‘‘prioridade sócio-política inadiável’’. Defende também, como dever do Estado, a assistência jurídica integral a gratuita no caso de pessoas de menor poder aquisitivo. (Colaborou Ayrton Centeno).Tasso Marcelo/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)‘‘Mentirômetro’’
Manifestantes estenderam faixas e fizeram até esquetes: ‘‘Os resultados das eleições foram manipulados’’Felipe Werneck
Agência Estado

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