Brasília - Um dia depois de a Executiva Nacional do PT decidir que as bancadas do partido na Câmara e no Senado têm de votar a favor da Medida Provisória que fixa o salário mínimo em R$ 260, 14 deputados petistas divulgaram ontem documento em que defendem um salário mínimo de R$ 300. Em um texto de cinco páginas, os petistas consideram ''impensável'' fecharem questão a favor do mínimo de R$ 260. Para o presidente nacional do PT, José Genoino, o documento dos petistas rebeldes ''não cria constrangimentos'' para o partido.
''Reconheço as angústias e as críticas. Mas se fosse possível dar um mínimo maior, o presidente Lula tinha decretado. Vamos conversar com esses deputados. Não está na minha agenda discutir punições'', afirmou Genoino. Ele disse que vai tentar convencer os dissidentes a votar com o governo. ''Ninguém está satisfeito com o mínimo de R$ 260. Afinal, a questão do mínimo é muito forte dentro do PT. Mas vamos mostrar as razões, que são mais políticas do que econômicas, para aprovar esse mínimo'', observou o presidente do PT, que participa de reunião quinta-feira com a bancada do partido na Câmara.
Ontem, a coordenação da bancada do petista na Câmara resolveu recomendar formalmente que os deputados do partido votem a favor dos R$ 260. Pelos cálculos dos petistas de correntes mais radicais, a expectativa é que, pelo menos, 10 deputados do total de 90 do partido votem contra os R$ 260. ''Votar contra o mínimo de R$ 260 é acreditar deliberadamente que o presidente Lula não quis dar um reajuste maior. Se derrotarmos o governo no salário mínimo, vamos criar uma crise medonha'', entende o deputado Paulo Bernardo.
No documento intitulado ''Salário Mínimo e a Política de Redistribuição de Renda'', os 14 deputados argumentam que maiores salários resultariam em maior arrecadação para a Previdência Social, além de aumentar o consumo e, consequentemente, a arrecadação.
Lembram também que o salário mínimo é um importante instrumento de distribuição de renda. Ao argumento do governo de que não há dinheiro para um reajuste maior, os 14 petistas contrapõem a afirmação de que os recursos usados pelo Tesouro em ''gastos com outras despesas'', que deveriam ser custeadas pelo Orçamento fiscal, dariam para cobrir ''com grande folga'' o impacto do salário mínimo nas contas da Previdência.
Os deputados petistas do Paraná Doutor Rosinha e Doutora Clair assinam o documento.

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