Petistas rebeldes consideram punição 'injusta' e 'incoerente'
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terça-feira, 29 de junho de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A executiva nacional do PT decidiu impedir que os nove deputados federais e três senadores do partido que votaram contra a Medida Provisória (MP) do governo federal, fixando o salário mínimo em R$ 260, sejam indicados pelos congressistas para novas funções de representação de bancada. A decisão atinge dois parlamentares do Paraná: a deputada federal Clair da Flora Martins e o senador Flávio Arns.
Ontem, Arns disse que já esperava a punição, que ele considerou ''ditatorial'' e ''incoerente''. O senador disse que historicamente votou pela melhoria do salário mínimo, mesmo estando no PSDB de Fernando Henrique Cardoso. ''Votava com o PT e contra o governo tucano, do qual eu fazia parte. Eu não podia ser incoerente agora e votar a favor dos R$ 260.'' Um estudo apresentado pelos senadores rebeldes ao governo federal demonstrou que menos de 2% dos municípios brasileiros pagavam salário mínimo para o funcionalismo público. Os estados também não seriam prejudicados.
Arns disse ainda que o PT prometeu na campanha aumento salarial e deu reajuste real de 0,6% em 2003 e 0,4% em 2004. ''A gente tentou negociar várias vezes com o governo Lula. A resposta sempre era a de que dogmas não poderiam ser negociados'', declarou. ''Com base nisso, resolvemos votar contra e sabendo que viria uma punição. O que gerou toda essa confusão desnecessária foi a incoerência do próprio PT'', disse o senador. Apesar da punição, Arns não vai deixar o partido. ''A executiva não foi democrática. Decidiu sozinha e mandou avisar sem debate. A partir de agora, minha luta no PT vai ser tentar fazer com que o partido repense seu caminho e dialogue com os congressitas.''
Arns e Clair não poderão nem ao menos falar pelo partido durante as convenções municipais. ''Não apenas estamos na geladeira. Estamos desautorizados a falar pelo partido. A pior punição foi nos desautorizar'', enfatizou Arns. Independentemente da punição, Arns continua representando o PT nas Comissões de Educação, Assuntos Sociais, Relações Exteriores e Defesa Nacional, Assuntos Econômicos, CPI do Banestado, Subcomissão da Saúde, Subcomissão do Meio Ambiente, CPI da Exploração Sexual, além de presidir a Subcomissão das Pessoas Portadoras de Deficiência.


