A disputa entre PT e PCdoB pelo tempo de TV e rádio no horário eleitoral gratuito teve um novo ‘round’ ontem com o início de um abaixo-assinado dos candidatos petistas que querem tempos iguais entre eles e os candidatos do PCdoB. O abaixo-assinado está sendo organizado pelo vereador de Curitiba e candidato a deputado federal Natálio Stica (PT). Segundo ele, só ontem dez candidatos a federal e 30 a estadual já aderiram. Stica prevê que os outros 30 concorrentes assinem a lista nos próximos dias. Ele pretende entregá-la à direção estadual do PT no final da semana.
‘‘É um absurdo entregar duas vagas de graça ao PCdoB quando temos bons quadros no partido’’, reagiu Stica. O PCdoB tem apenas Ricardo Gomyde como candidato à reeleição para deputado federal e dois candidatos a deputado estadual. Pela decisão do encontro estadual do PT, PCdoB coligou com o partido na eleição proporcional, mas os petistas condicionaram a aliança à divisão equitativa do tempo entre todos os candidatos.
A direção estadual do PT resolveu mudar a decisão e recorreu à Executiva Nacional, que aprovou um recurso garantindo o tempo integral às candidaturas do PCdoB na TV. ‘‘Essa eleição será de apenas 60 dias e não vai dar tempo de fazer propaganda. Quem aparecer mais na telinha vai levar vantagem’’, acredita Stica, que, em 1994, ficou como primeiro suplente.
Segundo ele, há quatro anos o candidato do PCdoB ficou com um minuto diário no horário gratuito enquanto os candidatos do PT só apareciam 17 segundos a cada quinze dias.
Stica afirmou que existe uma insatisfação geral dos petistas com a decisão da direção estadual. ‘‘Tem candidatos propondo até a retirada de candidaturas em bloco. Acho loucura, mas não descartamos a possibilidade de discutir o assunto’’, afirmou. Ele disse que o abaixo-assinado foi organizado ‘‘atendendo a pedidos de companheiros do interior’’.
O vice-presidente do diretório estadual, Jorge Samek, diz esperar uma solução que agrade aos dois partidos. PT e PCdoB teriam um encontro ontem para discutir o assunto, mas a reunião foi transferida para segunda-feira. ‘‘Vamos resolver na boa’’, afirmou Samek. Ele disse compreender a preocupação dos candidatos de seu partido e entende o abaixo-assinado como natural. ‘‘Como a disputa é muito acirrada, reações como essas são normais’’.
O secretário-geral do PCdoB, Milton Alves, voltou a afirmar ontem que o tempo de seu partido é ‘‘inegociável’’. ‘‘O tempo é nosso e vamos lutar em todas as esferas para mantê-lo, apesar de alguns setores do PT tentarem a guerra, uma guerra fraticida’’, criticou. Ele ficou sabendo do abaixo-assinado através da Folha e atacou a iniciativa. ‘‘Ao invés de ficar perdendo tempo com o tempo do PCdoB, o Stica deveria fazer uma mobilização contra a venda da Telebrás’’, provocou Milton Alves, referindo-se às manifestações contrárias à privatização da empresa feita pelas esquerdas.
Na semana passada, o deputado federal Ricardo Gomyde, pivô da briga pelo tempo do partido na TV, disse que ‘‘a tese que o tempo do PCdoB deveria ir para os outros partidos é tão ridícula que a própria executiva nacional do PT considerou a postura errada e corrigiu’’.

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