São Paulo - Ao ser oficializado candidato da Democracia Socialista (DS) - principal tendência de esquerda do PT - à presidência do partido, o deputado gaúcho Raul Pont defendeu hoje a saída do ministro da Previdência, Romero Jucá, do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, e do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Para ele, as denúncias contra Jucá e Meirelles são muito graves e a política econômica impede o PT de cumprir suas promessas.
''As acusações que têm saído na imprensa, com comprovações muito sólidas em relação ao ministro da Previdência e ao presidente do Banco Central, têm nos deixado indignados e escandalizados. Entendemos que eles já deveriam estar fora do governo'', afirmou Pont, à tarde, em São Paulo. ''Estamos vendo um pouco boquiabertos, perplexos, duríssimas acusações sobre questões que vão além até do problema de programa e de contrariedades de orientação governamental.''
Para Pont, o governo Lula deve ter as razões para mantê-los nos postos. E sugeriu que a política de alianças é um desses motivos. ''Nós achamos que até do ponto de vista da relação ética, que sempre tivemos com a sociedade, essas questões deveriam ter outro tratamento pelo nosso governo e pelo nosso partido.''
''Temos um duro controle do partido sobre os nossos eleitos, sobre as pessoas que indicamos. Nem sempre os outros partidos têm a mesma relação com as pessoas que indicam para cargos. Existem questões éticas que se sobrepõem a qualquer situação governamental'', defendeu Pont, ao lado da senadora Ana Júlia (PT-PA) e dos deputados Walter Pinheiro (BA), João Grandão (MS), João Alfredo (CE), Dr. Rosinha (PR) e Tarcísio Zimmermann (RS).
A crítica a Palocci se dá em razão da política econômica. ''Essa equipe econômica já deveria ter sido mudada pelo presidente Lula. Ela não atende ao interesse da sociedade e tem de ser mudada para que a gente tenha efetiva condição de cumprir o nosso projeto.'' O deputado João Alfredo completou, acrescentando que o modelo adotado por Palocci ''contraria toda a trajetória do PT.''
Com o lançamento da candidatura de Pont, já são dois os adversários do atual presidente do PT e candidato à reeleição, José Genoino, do Campo Majoritário. Há uma semana, a deputada Maria do Rosário (RS) foi lançada candidata pelo Movimento PT, do centro.
Genoino disse que não vai aceitar o vale-tudo na disputa pela presidência da sigla. ''Não vou atacar ninguém, não vou para o vale tudo na disputa pela presidência do partido.''

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