Brasília - Apesar de não terem nem visto nem ouvido os manifestantes da Marcha Contra a Corrupção, as autoridades que estavam no desfile do 7 de Setembro, ao lado a presidente Dilma Rousseff, consideraram o protesto como parte do jogo democrático. Blindados pelos tapumes que tomaram todo o quarteirão em frente ao palanque oficial, o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), e o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, classificaram o ato como ‘‘legítimo’’ e ‘‘ocorrência natural em uma democracia’’.
O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, cuja pasta foi um dos alvos da ‘‘faxina’’ e dos manifestantes, esquivou-se de falar sobre o protesto alegando que ‘‘não viu nada’’. Ele disse que ‘‘as questões internas do ministério já estão encaminhadas e sendo cuidadas pela Controladoria Geral da União (CGU), pelas auditorias, pelas comissões de sindicância e processos administrativos e disciplinares’’. A CGU deve divulgar hoje um primeiro balanço das auditorias feitas nos contratos do Ministério dos Transportes.
Marco Maia lembrou que já participou de muitas manifestações pelo País afora e que a marcha de ontem, na Esplanada dos Ministérios, era ‘‘importante para a democracia brasileira’’ e, por isso, deveria ser ‘‘respeitada e apoiada’’. Pelo fato de o desfile e o protesto dividirem a mesma avenida, mas em sentidos diferentes, o presidente da Câmara disse que isso era um exemplo de convivência pacífica e democrática.
‘‘Que bom que vivemos em um país democrático, onde as pessoas podem expressar as suas opiniões e posições de forma livre, respeitando a segurança e a liberdade de ir e vir das pessoas’’, disse o deputado marco Maia. Para Maia, não há nenhum constrangimento para o governo da presidente Dilma. ‘‘O governo tem sido o maior batalhador do combate aos malfeitos, que as denúncias sejam investigadas. Não vejo nenhum constrangimento, ao contrário, reforça a política que o governo tem feito de combate à corrupção’’, afirmou.

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