Petistas históricos saem com Heloísa Helena
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sábado, 20 de dezembro de 2003
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A expulsão da senadora alagoana Heloísa Helena do PT, decidida em reunião do diretório nacional, no último dia 14, pode gerar profundas mudanças na estrutura do partido no Paraná. Heloísa Helena esteve ontem, em Curitiba, participando de um debate, a convite da tendência Democracia Socialista do PT, da qual fazia parte. A reunião, que deveria servir para uma análise da situação política e econômica do País, acabou se transformando em uma sucessão de demonstrações de apoio dos militantes. Na platéia, os discursos se revezavam, entre aqueles que também defendem a desfiliação, como alternativa para lutar contra as posições do governo Lula, e outros que acreditam que devem ''continuar no partido e lutar para manter as bandeiras originais do PT''.
À tarde, as primeiras desfiliações começaram a se confirmar. Pelo menos três antigos militantes e fundadores do partido tomaram a decisão: Claus Germer, ex-secretário da Agricultura no governo José Richa, candidato a prefeito pelo PT em 1988 e membro da executiva estadual e do diretório Nacional em gestões passadas; e dos professores Lafaiete Neves, candidato a vice-governador em 1985, ex-presidente do diretório de Curitiba; e Milena Martinez, que também já foi candidata à deputada federal e ao Senado pelo PT. Durante a reunião com a senadora, representantes do movimento estudantil também anunciaram a desfiliação de 21 estudantes do Paraná, Rio de Janeiro e Alagoas, que está sendo encaminhada ao partido.
Heloísa Helena afirmou, ontem, que não tem intenção de ingressar em nenhum partido político já existente e que seu pretende dedicar os próximos três anos de seu mandato como senadora para construir um novo pólo de resistência da esquerda socialista e democrática. ''O que eu espero que culmine na construção de um novo partido, que resgate as bandeiras históricas do PT, de radicalidade democrática'', afirmou. Para isso, assim como esteve em Curitiba, a senadora pretende agendar encontros semelhantes em outros estados, onde quer discutir a situação não apenas com os militantes da Democracia Socialista, mas também com os filiados ao PT que não concordam com os rumos que o governo federal está tomando.
Heloísa Helena não respondeu se pretende fazer oposição ao governo Lula no futuro, mas também não poupou o governo federal de críticas. De acordo com ela, a atual política econômica vai além de apenas dar continuidade à política do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. ''É o aprofundamento dessa política, em função dos quatro pontos que foram acordados com o Fundo Monetário Internacional (FMI): reforma da previdência, lei de falências, privatização dos bancos federalizados e autonomia do Banco Central'', disparou.
O resultado dessa política, segundo ela, é que o superávit só vem sendo obtido às custas da restrição ou não execução orçamentária. ''Eu não posso aceitar que se invista menos de 5% do que estava orçado na área de saneamento, por exemplo, ou menos de 15% do que estava definido para segurança pública. Isto é inaceitável, porque estas mesmas críticas, que eu fazia na época do governo Fernando Henrique não era por demagogia eleitoralista, mas sim por concepção programática, convicção ideológica'', disse.
Ela também reafirmou suas declarações feitas na reunião do diretório nacional que a expulsou, de que a motivação que levou à sua expulsão não foi por nenhuma decisão de convicção pessoal, mas sim porque estava defendendo aquilo que ao longo da história o PT sempre defendeu. ''O PT que me expulsou não foi o que eu ajudei construir, socialista, o PT da radicalidade democrática. O PT que me expulsou representa a cúpula palaciana e, portanto, um anexo arquitetônico dos interesses do Palácio do Planalto e do FMI.''


