O diretório regional do PT fluminense, por intermédio do deputado federal Milton Temer, do vereador Jorge Bittar e do ex-candidato a prefeito do Rio, Chico Alencar, promoverá ato de protesto em frente ao consulado da Argentina, no Rio, na terça-feira, às 11 horas. A manifestação será em resposta à declaração do presidente da Argentina, Carlos Menem, de que uma possível vitória de Lula na eleição presidencial significaria o fim do Mercosul.
Menem fez essa afirmação durante um seminário sobre políticas macroeconômicas do Mercosul, na sexta-feira, em Buenos Aires. Os petistas do Rio entregarão uma carta de protesto no consulado e prometem ainda apresentar moções de repúdio na Câmara Federal, na Assembléia Legislativa do Rio e na Câmara Municipal. ‘‘Defendemos a elaboração de projetos nas três instâncias parlamentares que declarem o senhor Carlos Menem ‘‘persona non grata’’ no Brasil, no Estado e na cidade do Rio, caso não haja retratação’’, disse Alencar.
As críticas de Menem foram provocadas por reportagem publicada na sexta-feira no jornal argentino ‘‘La Nación’’. Segundo o texto, Lula pregava uma maxidesvalorização do real. Na verdade, o petista defende um ajuste gradual do câmbio. ‘‘Não concordo em nada com as declarações que li de um candidato a presidente que concorre pela terceira vez. Com essas políticas desaparece o Mercosul’’, disse Menem, durante o seminário que também discutiu a implantação de moeda única do Mercosul.
Arquivo FolhaMercosulMenem: ‘Com essas políticas desaparece o Mercosul’A desvalorização do real afetaria a economia argentina, pois os produtos do país ficariam mais caros para os brasileiros. Hoje, 30% dos produtos exportados pelos argentinos vão para o Brasil. Menem afirmou que o governo não vai desvalorizar o peso por causa dos problemas que vivem os mercados asiáticos, em especial o japonês. ‘‘Manteremos firmes a política de convertibilidade (dispositivo constitucional que prevê a paridade do peso com o dólar) que nos permitiu sair do inferno da hiperinflação’’, disse.
Anteontem, Menem voltou a criticou Lula. ‘‘Deus queira que as coisas nesse país (Brasil) sigam como estão agora’’, afirmou Menem, em defesa indireta à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Lula-Rossi O pré-candidato do PDT ao governo de São Paulo, Francisco Rossi, disse ontem em Bauru que por força da aliança nacional do seu partido, fará a campanha de Lula à presidência da República, mas ficará atento para ver se haverá a recíproca, já que o partido de Lula tem candidato próprio ao governo paulista. ‘‘Há poucos dias fui criticado por lideranças do PT, levei o problema ao conhecimento dos diretórios nacionais, que tomaram providências e eu dei o caso por encerrado, mas ficarei atento, porque exijo respeito e reciprocidade ao tratamento que vou dar à aliança Lula-Brizola’’.
Para Rossi, ‘‘o povo tem entendido nossa mensagem e acho que agora chegou a hora de governarmos São Paulo’’, disse, acentuando que, para ele, em 94, não teve uma derrota e sim uma vitória, chegando aos 44% num segundo turno em que todas as forças políticas subiram ao palanque do seu adversário, o governador Mário Covas.
Ele revelou que na época faltaram recursos e estrutura. Disse que hoje o partido está mais estruturado, mas mesmo assim ainda faltam recursos, a ponto de, dias atrás, a Volkswagen ter oferecido 60 veículos para o trabalho na campanha e eles não poderem ter sido aceitos por falta de recursos para pagar o combustível e os motoristas. ‘‘Estamos à espera de almas caridosas e boas para obtermos mais recursos para nossa campanha’’, disse Rossi.Arquivo FolhaProtestoLula, criticado por Menem: PT reage com manifestaçõesDas agências

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