Petistas evitam comparações entre Lula e Dilma
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Agência Estado 
Brasília - Prestes a embarcar em sua primeira corrida ao Palácio do Planalto sem ter o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como candidato, o PT diz estar ciente de que o fato de elaborar programas e propostas de governo não significa que essas ideias serão de fato postas em prática. Após Lula ter descrito o Congresso do PT como uma ''feira de produtos ideológicos'', sinalizando que não se pode abrir mão do pragmatismo para governar, representantes da sigla preferem desviar da tese de que o lulismo se sobrepôs de vez ao petismo. Mas reconhecem que ainda é difícil dizer, por exemplo, que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, poderá se transformar em uma líder à altura de Lula.
''Eu não ouso fazer uma previsão sobre isso. Depende muito do mandato que ela vai ter'', afirma o novo presidente do PT, José Eduardo Dutra. ''Qualquer comparação que envolva o Lula seria algo muito simbólico. Ele é o cara. Lula é um caso à parte.'' Para o ex-governador do Acre, Jorge Viana, o PT ainda está no início de um processo para construir o nome de Dilma. Hoje, diz ele, a ministra e pré-candidata ao Planalto está ''surfando'' na força de Lula, do PT e do governo. ''Nós ainda vamos ter de construir a força dessa candidatura. A Dilma ainda vai ser um dos nossos grandes ativos. Ainda não é.''
Viana não se arrisca, por exemplo, a enterrar a possibilidade de Lula voltar a disputar o Planalto em 2014, apesar de ele ter dito em entrevista que não lançaria Dilma para que sirva de ''vaca de presépio''. ''Não cabe a ele a decisão sobre se ele volta ou não para a política. Não está na governabilidade dele'', observa Viana. Ainda assim, tanto ele como Dutra afirmam que, uma vez eleita, Dilma reúne todas as credenciais para se fortalecer e se transformar na escolha do eleitorado para mais um mandato.
Por outro lado, líderes petistas parecem unânimes em considerar ''natural'' o fato de as propostas do partido nem sempre serem aplicadas pelo governo. ''Nós compreendemos isso em 1982, quando ganhamos nossa primeira prefeitura'', ressalta o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP). ''Partido é partido, governo é governo'', acrescenta Viana. ''É um governo de coalizão. Não é um programa só do PT'', emenda o senador Aloizio Mercadante (SP).
O ex-ministro José Dirceu propõe que, após deixar o governo, Lula se dedique ao fortalecimento do PT. Ainda assim, insiste que, sem o partido, o presidente não teria chegado onde está hoje. ''O lulismo e o PT são a mesma coisa. O PT não existiria sem o Lula nem o Lula sem o PT.''


