Brasília Dispostos a evitar a todo custo o desgaste de apelar aos velhos métodos da negociação fisiológica que tanto condenaram, os petistas do governo e do Congresso já definiram uma estratégia para evitar atropelos nos planos do partido de chegar à presidência da Câmara. A ordem é retardar ao máximo as trocas de comando dos postos federais nos estados, hoje sob domínio majoritário do PMDB, PFL e PSDB.
Uma medida com a qual o governo de Luiz Inácio Lula da Silva espera não amargar a vingança de ex-governistas desalojados Brasil afora. A idéia dos petistas é consumir janeiro, mês de intensa negociação em torno das presidências da Câmara e Senado, com indicações para postos relevantes do segundo escalão federal. Referem-se não só ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal, como ao Banco do Nordeste do Brasil, à Eletrobrás, Furnas e Correios.
''É definição do presidente da República não trabalhar na base do toma-lá, dá-cá, e sim institucionalmente, com os partidos. E o partido que tiver diálogo com o governo, certamente terá participação no Executivo'', diz o candidato do PT a presidente da Câmara, João Paulo Cunha (SP). Ele não esconde que, na condição de partido prioritário na negociação em torno das Mesas do Congresso, o PMDB não integrou o governo na montagem inicial, mas poderá fazê-lo futuramente. Precisamente nestes cargos de segundo escalão muito cobiçados pelos políticos nos Estados.
Não será tão fácil assim fugir do fisiologismo. Com a experiência de quem já liderou a bancada do PT, o deputado Walter Pinheiro (BA) lamenta o fato de o período de extrema sintonia entre o novo governo e a população estar sendo consumido com o Congresso em recesso parlamentar. Convencido de que o calor do apoio popular funciona quase como um ''escudo de proteção contra operações perversas'', ele propõe que o PT apresse a consolidação da maioria parlamentar.
A pressa de Pinheiro em montar uma base de sustentação no Congresso em tempos de lua de mel com a sociedade tem razões concretas. Atento ao público que compareceu à cerimônia de posse de Lula, ele percebeu que eram raros os parlamentares de partidos que não participaram da aliança vitoriosa do PT na eleição. ''Isto é um sinal ruim de distanciamento entre o presidente e setores expressivos do Congresso''.

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