Curitiba - Dois dos membros do PT mais ligados ao governador Roberto Requião (PMDB) criticaram ontem as declarações do presidente estadual da sigla, o deputado estadual André Vargas, que insinuou que a derrota do PT em três cidades no segundo turno no Estado poderia ter ocorrido devido a postura de Requião. O líder do governo na Assembléia, Natálio Stica, e o secretário de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social, Padre Roque Zimmermann, defenderam a manutenção da aliança PT-PMDB até 2006 e criticaram as declarações do petista.
O ataque mais contundente veio de Padre Roque, que tem desavenças sérias com Vargas desde que foi derrotado por ele na disputa pelo diretório estadual do PT em 2001. ''Só leva a sério o André Vargas quem não sabe de que forma ele chegou à presidência do PT há três anos e de como se mantém no cargo até hoje. Ter vencido Antonio Belinati em Londrina e com tão insignificante margem de votos não é cacife algum para tripudiar sobre companheiros e adversários que enfrentam paradas bem mais indigestas e que, apesar de derrotados nas urnas, saíram vitoriosos no processo'', disparou o único secretário estadual filiado ao PT.
Vargas preferiu não polemizar com o desafeto. ''Fui eleito de forma democrática e legítima pelo conjunto de filiados do partido. Durante meu mandato passamos de quatro deputados estaduais para nove e de dois deputados federais para seis. Elegemos um senador da República e, em 2004, pulamos de 10 prefeituras para 29. Isso é fruto de muito trabalho'', destacou Vargas ontem em nota oficial.
A única alfinetada de Vargas contra Padre Roque foi em relação ao trabalho desenvolvido pelo secretário estadual. ''Desejo profundamente que o rendimento do titular da Secretaria do Trabalho melhore'', disse Vargas. Recentemente, o secretário foi bastante criticado após uma rebelião em um educandário em Piraquara resultar na morte de sete adolescentes.
Stica foi mais leve nas críticas a Vargas, mas fez questão de frisar que Requião ajudou também ao presidente estadual do PT. ''Achei uma precipitação do André ter feito esse tipo de declaração. A aliança tem ônus e bônus, e na minha avaliação o PT está ganhando com ela. O governo está sendo fundamental onde o PT está administrando, e o melhor exemplo é Londrina, onde foram investidos mais de R$ 50 milhões pelo governo recentemente'', destacou Stica.
O líder do governo acredita que Requião também pretende manter a aliança com o PT, inclusive em nível nacional. Hoje, o governador se reúne com outros cinco governadores peemedebistas para discutir o futuro da aliança com o governo federal. ''Tenho certeza que o governador vai defender a manutenção da aliança. E mesmo que o PMDB decida deixar os cargos no governo federal, como vem se cogitando, no Paraná isso não deve ter muita influência. O Requião sempre teve uma postura de independência no comando da sigla aqui'', disse Stica.

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