Petistas criticam condução do Fome Zero
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terça-feira, 21 de janeiro de 2003
Fábio Zaninie Lilian Christofoletti<br> Agência Folha 
Brasília A primeira reunião da Executiva nacional petista desde a posse do presidente Lula, realizada ontem, foi marcada por críticas internas a algumas das primeiras ações adotadas pelo atual governo federal. A condução do Programa Fome Zero, carro-chefe do início da administração, foi o principal alvo das críticas. Houve ainda reclamações, vindas das alas do partido não alinhadas à direção à maneira como a reforma da Previdência está sendo conduzida.
As principais críticas à condução do Programa Fome Zero partiram da prefeita de São Paulo, Marta Suplicy. Ela reclamou que o ministro do Combate à Fome e Segurança Alimentar, José Graziano, deveria ouvir mais a sociedade para implementar o programa. A reunião foi fechada.
Marta criticou a ''inabilidade política'' do ministro e citou o suposto veto de Graziano à participação do bispo de Duque de Caxias (RJ), Dom Mauro Morelli, um dos maiores especialistas brasileiros no assunto, ao projeto. A prefeita disse que o principal projeto de Lula não pode ser submetido a um ''desgaste desnecessário'', num momento em que a credibilidade do atual governo ainda está sendo consolidada.
Marta afirmou que projetos implantados por prefeituras petistas, que se utilizam de cartões eletrônicos, não vêm sendo aproveitados na formulação do projeto. Citou o próprio município de São Paulo como administração que poderia dar contribuições. ''Não estamos sendo procurados'', afirmou.
A prefeita criticou ainda a principal característica do Fome Zero, que é a vinculação do benefício à compra de alimentos. Ela se mostrou favorável a que a população tenha liberdade para adquirir o que quiser.
Outros integrantes da Executiva também pronunciaram-se de forma crítica sobre o tema na reunião, entre eles o senador Eduardo Suplicy (SP). Antigo opositor do Fome Zero, ele sugeriu uma espécie de versão paralela do programa. Em duas cidades pobres nordestinas provavelmente no Piauí haveria um projeto-piloto pelo qual não haveria vinculação do benefício a alimentos.
Ao fim de seis meses, seria feita a comparação entre o sistema por ele defendido e o de Graziano, em que é exigida comprovação, por meio de notas fiscais, do gasto com comida. O senador argumenta que dar liberdade às pessoas, além de mais racional, sairia mais barato, eliminando custos de fiscalização.
As críticas ao Fome Zero se estendem também ao núcleo do governo, ainda que sem a mesma contundência. Assessores do Planalto criticam Graziano por ser muito ''desorganizado''. Durante o período de transição, o ministro chegou a ser repreendido por Lula em razão de reagir mal a críticas ao projeto.


